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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Por que?


Inspirada numa crônica de Clarice Lispector (não escrevo nem 10% do que ela escrevia) vou me questionando:

Por que tenho me sentido tão irritada ultimamente com coisas e pessoas?
Por que sinto como se estivesse andando em círculos num eterno ir e vir sem sentido?
Por que estou perdendo a vontade de dar aula de teatro?
Porque não tenho vontade de sair de casa nem ver muitas pessoas?
Porque não tenho vontade de discutir política, cultura ou nada de movimentos culturais?
Porque estou com esse sentimento de fracasso e angústia dentro de mim?
Porque sempre sou a última opção?
Porque sempre tenho que pensar em tudo, fazer tudo, organizar tudo em casa, no trabalho ou por onde ando?
Porque não sou meiga e amorosa?
Porque tomo baldes de café por dia sem nem ter vontade de tomar tanto café?
Porque me olho no espelho e só me critico e me detono?
Porque perdi a vontade de escrever?
Porque não acredito mais no meu trabalho?
Porque só tenho vontade de ir embora dessa cidade, não ver mais as pessoas que trabalho e mandar um olá no natal e olha lá?
Porque vivo contando moedas no final do mês se meu trabalho é ótimo, tem qualidade e muitos admiram?
Porque não tenho sorte no amor? Ou sorte não é a palavra certa?
Porque me irrita tanto quando me dizem que tiveram premonições a meu respeito, ou que me conhecem e eu penso como os outros?
Porque eu penso?
Porque não fico de boca fechada?
Porque não fiquei enfiada nos trabalhos fixos que eu tinha, frustada mas bem paga?
Porque decidi trabalhar e viver da Arte no Brasil?
Porque sinto inveja de algumas pessoas ultimamente, principalmente das que tem tempo livre e dinheiro e podem viajar a qualquer hora e eu não?
Porque peso 200 vezes mais do que suporto?
Porque meu corpo tem tido crises alérgicas intermináveis toda vez que me irrito?
Porque ando tão mal humorada e infeliz?
Porque as pessoas não me deixam em paz, quieta no meu canto e respeitam minha crise?
Porque as pessoas querem minha presença quando não quero estar presente?
Porque não casei, constituí família de comercial de margarina e vivo uma vida aparentemente feliz com a maioria das meninas do  Ensino Médio da minha época?
Porque escolhi Canela?
Porque escolhi ser mãe sem ter os pais junto comigo?
Porque escolhi fazer tantas coisas ao mesmo tempo e sozinha e depois reclamar que faço tantas coisas sozinha e ao mesmo tempo?
Porque ando com medo de morrer de infarto ou câncer?
Porque a chuva me atrai?
Porque gosto do frio?
Porque sinto saudades dos que já foram e não valorizo os que estão perto?
Porque tenho perdido festas e jantares de amigos queridos de propósito?
Porque estou isolada de todo mundo?
Porque não olho para o lado quando um homem me olha e finjo que não vi?
Porque fecho portas e não saio simplesmente sem olhar para trás?
Porque ainda acredito que a Arte pode fazer a diferença?
Porque me irrita alunos de teatro atrasados e descomprometidos?
Porque me dói tanto amigos que só lembram de mim quando precisam?
Porque me tornei útil apenas do que agradável?
Porque não quero falar dos meus sentimentos com ninguém?
Porque não tenho gostado de receber abraços ou abraçar a não ser as minhas filhas?
Porque sinto-me usada, pisada, maltratada, infeliz, triste, chateada e muito irritada todos os dias?
Porque sonho sempre que estou no Teatrão em Canela ou na Escola Marista fazendo apresentações?
Porque enterraram o meu cordão umbilical?
Porque não escrevo asneira em rede social e finjo cara de paisagem como todo mundo faz?
Porque não estou na puta que pariu?
Porque continuo fazendo as mesmas coisas e procurando resultados diferentes?
Porque meu Brasil está abandonado, sucateado e triste quando tem potencial para tanto?
Porque não puxo o saco dos colegas para conseguir mais?
Porque não sou politiqueira ou faço politicagem?
Porque não deixo minha boca fechada e não expresso minha opinião verdadeira só pra mim?
Porque pessoas groseiras e mandonas acabam comigo?
Porque não visito mais minha família?
Porque não apareço?Ou desapareço?
Porque não envelheço sem me preocupar tanto?
Porque só tomo cerveja preta e gosto de vinho suave e todos dão risada disso? Qual o problema?
Porque tenho finjo demência e nem me importo mais?
Porque as pessoas usam meu nome em benefício próprio sem falar comigo?
Porque as pessoas acham que me conhecem e falam como "propriedade" de mim só porqe em algum momento trabalharam comigo?
Porque não viajo mais?
Porque não atuo mais?
Porque não paro de dirigir peças de teatro?
Porque abri um espaço de pesquisa teatral se nem tem como ele se auto manter?
Porque? Porque? Porque? 
Tantas perguntas, muitas com resposta óbvia: PORQUE EU DEIXEI!
E se eu deixei, eu posso não deixar mais...
Sobre você ler isso e pensar que estou louca ou depressiva ou precisando de ajuda...(risos). Não! Não pense nada disso... só pense que escrever me acalma, é um exercício de sobrevivência para mim desde os 10 anos de idade... agendas, diários, cadernos, livros, peças de teatro... é como me regenero. Anda difícil essa regeneração, mas acredito que ainda dê para sair da lama.
Não quero mesmo falar sobre isso, não quero abraço, nem previsão de cura de gente que não sabe gerir a própria vida, de gente cruel que maltrata o garçom e vem me dar lição de moral. Só quero ficar assim, entender o que se passa aqui dentro e quando estiver bem sair de mim, trocar de pele e sentir na pele a própria dor sem se vitimar. Me libertar do peso das minhas costas, das últimas perdas da minha vida, das lutas diárias que me cansam tanto... Eu vou bem obrigado! Não sou fortaleza, também desmorono e penso que é meu direito escolher passar por isso sozinha, do meu jeito. Se isso é certo ou errado para você que me lê, esse é um problema seu! Com todo respeito, se me conhecer de verdade, como dizem alguns, me deixe em paz! Na minha solidão com cheiro de café passado.
"Nossa, como tu te expõe escrevendo? O que vão pensar de ti?" (mais risos) Há muito deixei de me importar com a opinião dos outros, não consigo fingir...só sei ser como sou e neste momento, sou cheia de perguntas e porquês? Escrevi aqui só o que podem ler o resto, guardo no peito!
Bjs da loca.
Fui me encontrar por aí, porque não está fácil para ninguém...eu sei!


quinta-feira, 14 de junho de 2018

O retorno ao Peru e o reencontro comigo mesma!


Sergio Azevedo Fotos
Estamos aqui arrumando malas e a duas semanas de voltar ao Peru e participar desta vez do I Festival Internacional de Teatro de Chiclayo "Mujeres Dramáticas". Expectativas, ajustes, produção e a certeza de que o Universo te coloca no lugar certo na hora certa. Voltar ao Peru é muito mais que participar do festival e rever amigos, é também lidar com meus fantasmas do passado, resgatar um pedaço da minha alegria que deixei lá da última vez que fui. É juntar a última pecinha dos cacos que se que quebraram para finalizar mais um ciclo na minha vida, de grande crescimento e voltar inteira. Estou pronta! Pronta para me encontrar comigo de novo, pronta para mexer nas minhas dores mais profundas e transmutá-las assim como Mariana Alcoforado. Somos um Equador de escritos... e quanta coisa escrevi nesses últimos quatro anos... Volto para lá na mesma época, novamente em julho e durante a Copa do Mundo. Volto para lá mais uma vez com um trabalho meu, mas pela primeira vez em cena, fui sempre como diretora. Volto falando de amor. No mesmo lugar onde encontrei tanto amor, que hoje vejo nos olhos da minha Helena. Volto pelas ruas onde caminhei e chorei muito, não pelo 7x1 do Brasil, mas por tudo que eu sentia e não entendia que viria. A minha intuição já me preparava para tanta coisa e ao mesmo tempo me acarinhava dizendo que eu estava protegida. Está aí, uma coisa que não tenho dúvida alguma, sou muito protegida e querida pela espiritualidade e meus guias, eles sempre estão comigo, eu sei que não estou só, mesmo nos momentos de maiores solidões...
Me sinto como se tivesse literalmente sido "treinada" para esse retorno, e todas as amarras que ainda me prendem precisam ser soltas... eu preciso me libertar do restinho da raiva, do rancor, do desamor não do outro mas meu, eu me abandonei nesses últimos quatro anos e joguei na comida toda a minha raiva. Como se isso pudesse me curar, quando na verdade só disfarçou minha dor. Quero entrar na mesma igreja amarela em Trujillo, sentar no mesmo lugar e agradecer. Agradecer por tudo que me aconteceu desde a última vez que estive ali. Eu sou uma nova pessoa, uma nova mulher e descobri em mim potenciais e força que não fazia ideia que tinha. Eu honestamente pensei que não iria dar conta do recado. Mas está tudo certo, como deve estar. Toda vez que olho para minha filha, não consigo sentir raiva, não consigo reclamar, ela é tudo de melhor e maior que podia me acontecer. Ela escolheu a mim e ao pai para trazê-la a este mundo,e isso já é muito grandioso. Já entendi que a relação dela com o pai é um problema deles, regate deles e que não devo ficar no caminho, muito pelo contrário, abrir portas para facilitar essa comunicação, mas é só! Nada mais!
Há quem fale as bobagens de "não vai voltar grávida de novo", e preciso rir. Rir porque essas pessoas não sabem de nada da história, não sabem nem metade do que aconteceu, me desconhecem inteiramente, e desconhecem o fato de fiquei um ano tentando engravidar e não conseguia e aí finalmente quando não estava mais com este foco, aconteceu! Helena "amigos", não veio por acaso. Foi muito, muito planejada, esperada e amada! O que não foi planejado, amado e esperado foi tudo que veio depois, mas aí é outra história para outra hora...
Não me arrependo de nada. De ter amado, de ter vivido tudo o que vivi, da entrega, das esperanças, dos sonhos... como boa escorpiana sou intensa e amo muito, demais. Sofro na mesma proporção também.


E como escrevi lá em cima, o Universo te coloca no lugar certo na hora certa. Não estava nos meus planos ir ao Peru tão cedo, não fazia sentido para mim voltar lá. Pelo menos não agora. Um amigo colombiano me indicou para a organizadora do I FITCH e primeiramente como era um festival de mulheres dramáticas, sugeri "Cabeças Autônomas", mas era inviável levar dez mulheres ao Peru. Então decidi mandar material do "Cartas de Além Mar" e uma semana depois, ainda em dezembro soube que iria. Começava os dinossauros na barriga fantasiados de borboletas. Era preciso voltar e eu voltaria. A história de amor da freira portuguesa pelo soldado francês, as cartas trocadas, o desejo sentido. Lá estou eu, frente a frente com Mariana. Ator e sua verdade na veia. Visceral. Um amigo escreveu um trocadilho no face "Lisiane Alcoforado ou Mariana Berti"? Não importa! Vivemos nosso amor, nossa loucura, nossas certezas, aprimoramos nossa força, seguimos... seguimos de cabeça erguida!! E isso é o que verdadeiramente importa.
Vou num momento muito feliz. Vou leve (fisicamente ainda falta um pouquinho hehehehe), vou de coração aberto, vou despojada de medos, pronta para encontrar, falar, olhar no olho e sentir... Sentir é a palavra. O Peru em si é puro sentir...
Hora de fechamentos. De virar a página e começar uma nova história, onde eu sou a protagonista da minha vida, onde EU virei em primeiro lugar. Eu sempre me coloquei em segundo plano para agradar muita gente. Hoje eu ME agrado, estou definitivamente despreocupada com o que os outros pensam e dizem, isso é problema deles. Não meu!
Mariana e eu temos o exercício da dor como aliada nas nossas emoções desenfreadas. A escrita eternizou o amor barroco da freira assim como a escrita foi minha aliada para entender tudo que acontecia e registrar minhas agonias contemporâneas.
Que venha o festival de "Mujeres Dramáticas" (muito propício para mim e Mariana), que venha essa apresentação que será importantíssima para a transgressão de ambas, que venham os encontros e reencontros. Que venha o que tiver de vir. Me projeto, me recupero e me regenero. Vou em paz e na paz! Sei dos percalços mas sei que nenhum caminho corajoso é simples.

Finalmente, encerro com o escritor francês Henry Bordeaux: "Todas as Cartas de paixão deveriam ser chamadas de Portuguesas..."





sábado, 19 de maio de 2018

Hoje lembrei de ti

Hoje lembrei de ti... de tudo que ainda não tivemos, de tudo que ainda não sentimos, de tudo que ainda não planejamos, de todas as risadas que não compartilhamos, de todos os cafés que ainda não bebemos, de toda as viagens que não fizemos, de todos os silêncios abraçados que não acalentamos.
Hoje senti que estás perto de mim, a chuva me acalma e sempre me faz pensar em novas possibilidades de escolhas, de destinos, de sonhos, de voltas que ainda quero dar na minha vida. Hoje te senti bem perto de mim... mesmo que fisicamente longe. Te senti afagando meu rosto e dizendo que em breve vamos nos reconhecer e nos reconectar, que vamos nos reencontrar...
Engraçado sentir saudade de alguém que não se conhece ou nunca se viu, mas que você sabe que existe. Por vezes já me enganei, por vezes achei ser você, mas eram outros, que me ensinaram muito, mas ainda não me fizeram sentir o que sinto só em pensar nesse encontro de almas. Sinto uma leveza que me transforma, sinto uma calma que às vezes não é minha, sinto que você está cada dia mais próximo, e , assim como eu, também me procura. Aprendi a viver comigo, minha solidão é divertida, não é triste, mas já foi, outrora muito complicada. Minha vida é cada vez mais corrida, mas gosto tanto do que faço que me cansaço é físico mas possível de recuperação, na verdade adoeço se estiver parada. hoje ouvi músicas que nunca pensei ouvir, em outras línguas, hoje queria sonhar contigo, sonhar com alguém que ainda não conheci mas sei que vou saber quem é.
Louca? Insistente? Dramática? Carente? Não! Apenas honesta! Escrevo para mim, se isso te incomoda, não leia até o fim. Nem compartilharei dessa vez, porque é só uma sensação. A chegada do inverno na Serra Gaúcha fez isso! Hoje é um daqueles dias que te queria aqui, queria deitar nos teus braços e ficar e silêncio, porque tu me conheces tão bem que saberias que sou assim... talvez eu choraria um pouco e te contaria de dias difíceis, tu não falaria nada, só mexeria nos meus cabelos e me abraçaria mais forte. Saberia que logo em seguida eu ia rir de alguma coisa.
Nos encontraremos em um dia frio, numa cafeteria qualquer, de um país qualquer... sei que não será no Brasil (e nem no Peru...kkkkkk)! Nossos olhares se reconhecerão, mas seremos sutis nesse primeiro momento. O destino se encarregará do resto. Do resto de nossas vidas...
Estou terminando meu processo de cura da estagnação lamacenta de velhos pensamentos e crenças. Absorvida pela minha intuição, apoderada de quem sou e não do que querem que eu seja, dona das minhas ideias, das minhas histórias, senhora de si, sigo... 
Está tudo certo! Tudo aconteceu para que chegássemos até aqui... outras histórias nos fizeram criar essas histórias e unificarmos uma única história. Te espero vivendo lindamente, seguindo minha vida e fazendo o que gosto com quem gosto. Me reconhecerás num dos melhores momentos da minha vida e maturidade. Abrirei as passagens secretas do meu coração, ainda imaculadas por ti, por mim, por nós dois. Haverá verdade, solidez e resistência. Haverá reciprocidade... assim como já houve. 
Saudades sempre de ti...

Lisi

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Bloco dos Artistas, Canela e Identidade!



Uma das grandes paixões dos brasileiros é sem dúvida o Carnaval, uma festa folclórica linda com suas particularidades regionais. Sim, ele tem duas faces, há a bebida alcoólica que se torna farta, há os que abusam das brincadeiras, há o aumento de acidentes e há aquela frase que perpetua que por aqui, no Brasil, "o ano só começa depois do Carnaval" e tudo, inclusive respostas importantes de trabalho, só chegam depois dele. Mas eu não vim falar desse lado "escuro", vim falar, ou melhor, escrever sobre o contágio da alegria, da diversão, da musicalidade e influências de raças que se evidenciam nessa época, seja num samba enredo, seja numa fantasia, numa alegoria. A criatividade, o luxo, a beleza, a identidade e o renovar de energias positivas, mesmo para aqueles que não gostam do "ziriguidum" e preferem fugir para a praia ou simplesmente hibernar em casa.
Canela já teve um dos melhores Carnavais da Serra Gaúcha, com as saudosas noites de carnaval no Esporte Clube Serrano e com os desfiles na rua de blocos como Charanga do Boléia, Só Falta Você, Saímo sem Quere, Los Fantasmas e tantos outros que não lembro o nome, porque eu era adolescente amava assistir os desfiles e tinha uma turma maravilhosa de festa. O carnaval era bem organizado por aqui, mas não lembro e não sei porquê, terminou. Em fevereiro muitos começaram a procurar festas fora da cidade ou da Serra, porque não tinham mais opções e as ruas, antes embaladas pela folia ficaram desertas.
Em final de dezembro de 2017 fui chamada junto com outros artistas pelo Tiago Melo a frente do Departamento de Cultura da cidade que explicou qual era a ideia do carnaval em 2018 e que gostaria muito de formar um bloco dos artistas inspirado no Bloco da Laje de Porto Alegre. O carnaval seria curto, na praça, aberto a todos com a Liga dos Blocos (união do que sobrou dos blocos que comentei antes), o Bloco dos Artistas e programação paralela  em alguns lugares da cidade. E começaram os trabalhos. Pedro Campos tomou a frente chamando onze músicos para compor a Banda do Dionísio que embalaria o nosso bloco com samba de raiz, maracatu, axé, Adoniran Barbosa e aquelas músicas que todos conhecem, cantam e não conseguem ficar parados. Grupo do whattsapp formado adicionando interessados, camisetas do bloco estruturada partindo do Bonecão Tiberius do Grupo Olho Mágico que virou mascote e se fez poesia no estandarte da maravilhosa Potira Moura (responsável pelos figurinos e adereços). Ensaios no Ponto de Cultura Kombinação com 1 litro de leite como ingresso doado ao HCC, esquenta no Aroma Literário com chuva e queda de luz que se ajustou no último minuto. 
Falando em chuva, ela veio junto com a cerração porque por aqui, isso é paisagem cativa, e no primeiro dia oficial da apresentação do bloco, artistas sambando na chuva e lavando a alma. Raças, cores e amores, grupos, cias, amigos e apreciadores da Arte. Só alegria! Só diversão e que energia! Vídeos compartilhados, sucesso! Muitos procuravam para adquirir camiseta ou saber mais informações. Brilhante ideia do Tiago, de unificar isso e retomar o carnaval dessa forma. Ouvi diversas vezes: "Carnaval assim, com esse clima e essa energia boa, só em Canela!"
Evoé Baco ou Dionísio! Evoé bloco dos artistas e Canela! (Para quem não sabe "evoé" era o grito proferido pelas sacerdotisas que cultuavam Baco. Grito de alegria, de exaltação e entusiamo.)
Bacanal (do latim Bacchanalia) eram, na Roma Antiga os rituais religiosos em homenagem a Baco (ou Dionísio), deus do vinho, por ocasião das vindimas, em que havia um cerimonial sério e contrito, de início, seguido por uma comemoração pública e festiva. Dionísio era um deus bastardo para os pagãos. Perambulava por muito tempo pela Ásia menor até que, conta a lenda, pelas mãos do sacerdote Melampo, introduziu-se as terras gregas. Tornou-se um sucesso. Conforme as parreiras se espalhavam pelas ilhas da Grécia e pela região da Arcádia, mais gente o celebrava. Em todas as festas do campo ele se fazia cada vez mais presente. Representado pela figura humana só que de chifres, barbas e pés de bode, com um olhar embriagado. Nos festejos dionisíacos uma teatralização coletiva de inversão de tudo serviam como um acerto de contas do povo com seus governantes. Ainda que metafórico, neles o miserável vestia-se de rei, o ricaço de pobretão, o libertino de líder religioso e a rameira como a mais pura donzela. E até hoje essa inversão permanece não acham? Incomoda? Sim, há os que gostam de Carnaval e os que detestam pelos mesmos motivos.
Vestidos de túnicas roxas e com coroa de hera nas cabeças, a banda do Dionísio embalou a festa. No início uma saudação ao Deus da festa, abrindo os trabalhos, pedindo permissão para entoar os "hinos" de que movimentariam todos. Foi lindo de ver a Praça João Corrêa cheia de crianças, jovens, adultos e os artistas de camisetas roxas (roxo, verde e amarelo são oficialmente as cores do Bloco) dançando e se divertindo.
Vida longa ao novo formato do Carnaval em Canela, simples, sem frescura, com cerração, mas com toda a identidade cultural que só quem vive ou passa por Canela sente. Por aqui a Arte está no DNA da comunidade desde os primórdios e não há quem possa nos tirar isso.
Aproveito aqui para agradecer a todos os artistas, músicos, alunos, simpatizantes da Arte que embarcaram na ideia e foram para a folia com a gente! Sim, o momento do pais é delicado, difícil e triste. Muitos dizem: "ah se o povo se unisse assim para protestar!". Nosso bloco também foi nosso protesto, por liberdade! Liberdade de escolher, de sentir, de se vestir como quiser, de ser quem se é, liberdade de ir e vir e de quebra, uma grande festa teatral.
Estava lá eu, de preto (óbvio), sem muita purpurina (dóe o olho), com minha camiseta roxa do bloco, filmando cada momento lindo. Sou do tempo dos saudosos carnavais em Canela. Fazia muitos carnavais que hibernava e sumia, fugindo do barulho. Neste fiz questão de estar em todos os ensaios e apresentações. Compartilhando a festa, esse era meu papel! Orgulhosa de ser canelense e fazer parte disso tudo!
Ficam aqui meus registros!!!
Evoé!
Seguimos!!

Mestre sala e porta bandeira mirins (Pedro Parmegiane e Pietra Zanatta)


Liga carnavalesca e nosso mascote Tibérius


Banda do Dionísio e bloco dos artistas abaixo de chuva


Mestre sala e porta bandeira adulta Evelise Fagundes e sua alegria contagiante

Eu louca e feliz











sábado, 13 de janeiro de 2018

Mais um Ator e sua Verdade Visceral

Fotos: Sérgio Azevedo


Sete de janeiro de dois mil e dezoito. Mais ou menos meia noite. Domingo. Início de uma profunda dor de estômago que me fez rolar de um lado para o outro da cama. Devo ter ido dormir umas quatro horas da madrugada. Ao acordar me dei conta do porquê da dor... começava o intensivo de verão O Ator e sua Verdade que ministro há sete anos e a dor era o meu corpo dando sinais da energia que iria ter de desprender, trabalhar e das pessoas maravilhosas que iria conhecer.
A princípio dezenove inscritos. Dois desistiram no caminho, um por problemas de trabalho outra por medo mesmo, simples assim! Começamos os trabalhos no teatro Casa de Pedra em Canela com 17 pessoas das cidades de Canela, Gramado, Três Coroas, Porto Alegre, Bento Gonçalves, Garibaldi, Tubarão, Manaus e  Pelotas. Todos devidamente no horário, de roupas pretas, com suas garrafinhas de água e seus lençóis. Começava assim mais um intensivo.
Cada ano escolho um lugar diferente para este intensivo, proponho exercícios diferentes (menos o da música que não abro mão), e sigo sempre minha intuição conforme a energia da troca que recebo dos participantes. Este ano, além das tardes de trabalho, tivemos um noite de prática teórica com apresentação de capítulos lidos pelos alunos,(livro recebido no primeiro dia)e discussão. E uma noite com exercício final, onde cada um poderia convidar uma pessoa para assistir às suas verdades, agora conscientes, trabalhadas e transmutadas em Arte.
Foi lindo! Tiveram momentos tensos? Óbvio que sim, houve desistências ao longo do caminho, houve pessoas que não se permitiram entrega, houve pessoas que vomitaram, tiveram queda de pressão, mas isso sempre houve só que cada ano mais potencializada... mas houveram tentativas e isso é válido. Um mergulho profundo em si mesmo. 



A preparação para lidar com a energia de tantas pessoas começa muito antes dos cinco dias de curso para mim... além da organização, pesquisa, divulgação há também a preparação do espaço e a minha. Me recolho, me preparo, me regenero. Porque preciso estar preparada física, mental e espiritualmente para receber, trocar, potencializar e criar com as verdades alheias. Esse intensivo foi um dos mais especiais depois de alguns anos... voltamos ao teatro. E não há melhor lugar para fazer teatro que no palco. Foi o intensivo que mais participantes teve de fora da cidade e desconhecidos para mim. O que é excelente! Eu estava inteiramente focada, presente e entregue ao meu trabalho. Minha intuição mais presente que nunca. Foi uma semana especial onde ouvi dos participantes muitas coisas que me fizeram ter certeza que este é o meu propósito e que tudo que aconteceu em 2010 para que eu mergulhasse em mim dolorosamente para saber que tipo de teatro eu queria, valeu a pena!



Meus sinceros agradecimentos a essas pessoas incríveis que conheci e reconheci em 2018: Nicolas, Maiquel, Pietro, Túlio, Kelvin, Marina, Geísa, Vanja, Rosane, Ana, Márcia, Sílvia, Mariluz, Luh, Milena e Eduardo. Valeu!!

Criar é dar um salto no vazio...dentro de nós mesmos!





Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolhi ser." (Carl Jung)





sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A pressão emocional do fim do ano




Então mais um ano acabando. Começa aquele alvoroço de o que fazer no natal, para onde ir no ano novo, festa da firma, amigo secreto, família, presente.. uma jornada cansativa, só o pensar cansa! Desfilam nas redes sociais brindes e fotos de gente "super feliz" agradecendo ano. Seu whatts entope de correntes, árvores e desejos de boas festas de pessoas que você nem sabe quem é, o velho "copia e cola", afinal é mais prático, você consegue enviar milhões de mensagens em segundos... super prático. Mas aí começa a pressão emocional, você "tem" que se reunir com a família, você "precisa" fazer ceia, ah mas você não gosta disso... diferentona! Você tem que brindar, pular 7 ondas, usar branco, comer porco, lentinha que traz dinheiro, usar calcinha amarela da sorte, e tantas outras baboseiras e rituais inventados por alguém em algum momento...
O país literalmente pega fogo! O mundo caótico, energia pesada no ar... a retrospectiva inevitável e maldita de 2017 começa, mesmo que você lute contra ela. O que ganhou, o que perdeu em 2017? Realizou sonhos, abandonou sonhos? Quem você foi em 2017? Foi alguém para agradar os outros e deixar de ser você mesmo, ou passou o ano se afastando de tudo que não te faz bem?
Não escrevo para ser pessimista ou amarga, não me entendam mal, por sinal nem espero que leiam ou comentem, escrevo pra mim, como sempre fiz, desde a infância, nos meus diários, agendas que guardo até hoje. Pra mim escrever é uma grande terapia e chove lá fora, a inspiração e vontade vieram. 
Meu ano não foi lá grande coisa não, foi um ano de ajustes, que me propus a trabalhar muito (e trabalhei para caramba) e limpar todas as minhas "nhacas", exercitar o perdão sobretudo comigo, voltar a acreditar nos meus projetos e no que sou, não no que esperam de mim e a resgatar/curar/sanar minhas histórias de família bem complexas. Meu foco: queria ser um ser humano melhor! Acredito que vou repetir de ano, não passei em algumas "provas", mas consegui desembaçar a vista e enxergar coisas que "fingia" não ver... cada ano os amigos de fé tem diminuído consideravelmente, já nem sei se enchem uma mão, já nem sei em quem confio de verdade, os mais próximos acham que me conhecem, nem tanto, quem me conhece de verdade não precisa ficar escrevendo textão para mim na internet ou em datinhas ditas especiais, a gente sabe quem realmente se preocupa com a gente, e não aqueles que aparecem somente para conseguir algum favorzinho de última hora. O discurso é bem previsível...
Este ano fui literalmente um limão, bem azedo. Como me irritei com pessoas, com coisas, com trabalhos... Como me afastei de muitos para não brigar ou bater de frente, na contramão engordei. Meu ódio me engordou, minha raiva me engordou, minha mágoa me engordou, minhas frustrações me engordaram. A relação que tenho com a comida atualmente é péssima e obsessiva/compulsiva, é a fuga. Alguns lerão e dirão "é falta"!Eu preciso rir, porque todo mundo sabe de tudo e tem remédio para tudo, mas na verdade ninguém faz realmente nada. Não me envolvi com ninguém, meu coração estava em recuperação, colando cacos e achei melhor deixá-lo novinho em folha e não me envolver pela metade e fazer o que fizeram a vida toda comigo, me atirar migalhas, e pasmem, durante muitos anos me contentei com as malditas migalhas e fazia festa, achando que arrasava.
Meu exercício em 2017? Foi tentar ser fiel a mim, falar a verdade, não tenho porque esconder, não tenho porque fingir ser quem não sou, para ser a "curtidinha da net", a felizinha do teatro...Por falar no teatro, minha relação com ele vai bem mais a fundo do que a vã filosofia sonha, é muito mais que pisar num palco, que atuar, vai além corpo, além alma, por isso meu respeito por ele profundo. O meu azedume acabou respingando nas minhas filhas, que seguraram crises minhas sem nem fazer ideia. Minha família mal visitei e me envergonho disso, queria ter aproveitado mais cada um, mas meu coração não sentia vontade então me isolei. Parei de falar do pai da Helena e com o pai da Helena, um perdão difícil mas já trabalhado. Muita terapia, floral, regressão, acertos e erros... minha relação péssima com comida recomeçou aí, com a baixa autoestima e uma bomba relógio de problema para resolver todo dia. E ainda tenho que ouvir piadinha escrota e de mal gosto sobre o Peru... ah se vocês soubessem tudo o que passei  desde o dia que soube estar grávida até ontem, pensaria duas vezes antes de vir com piadinhas "escrotinhas"... não falem do que não sabem, não julguem, não levantem hipóteses a meu respeito, venham falar comigo diretamente e me perguntem. Responderei com verdade e café, sou madura e bem resolvida, por isso trabalho minhas merdas, para que virem adubo, e ser for pra rir e fazer piadas, dá licença mas deixa que eu mesma faço, afinal eu sou a única pessoa no mundo que sei exatamente quem sou.
Mais pressão... contagem regressiva... 5...4...3...2...1! FELIZ ANO NOVO! Sério que vocês acreditam que depois do dia 31 tudo vai ser resolvido, tudo vai mudar? Sério que um brinde  e 7 grãos de uva e um prato de lentilha trarão abundância e amor! Bingo! Se fosse fácil, faria contagem regressiva todo dia e me "empanturraria de lentilha". (Nossa que insuportável que ela está, que azedume!) Me bloqueia baby! Para de ler, não mandei vir "futricar" no meu blog, tá aqui porque quis. Tá incomodado? Cai fora! Outra reação minha em 2017. Não agradar, dizer não para trabalhos que até um tempo atrás jamais diria. Tirar férias, ficar mais tempo curtindo minha casa, focar nos meus projetos e aí veio o Estúdio do Pesquisa Teatral , sucesso absoluto para mim, mas nem por isso saiu do alvo de piadinhas escrotas como "como vai teu botequinho", "É isso o estúdio? Que pequeno!", "Tu teve até nota no Zero Hora, tá te achando eim!", entre outras coisas... eu ri! Ri porque aprendi a me posicionar e analisar de fora, e ver que essas pessoas só tem isso, uma pobreza de espírito absoluto, e não serei eu que vou fazê-las mudar de ideia!. Cada um com seu caminho, eu estou seguindo o meu. Reapareceram fantasmas do passado, agindo como se nada tivesse acontecido, pedindo desculpas. Ouvi, desculpei de verdade mas optei por não estar perto. Depois de anos de sofrimento a gente entende quem quer realmente estar com a gente, e quem está pela gente. O que ela fizer eu topo, não me mecho para nada, ela faz tudo, tem ideias, escreve, dirige e eu vou lá atuo e reclamo e ela que se vire. Artista sanguessuga! To fora! Mas tive muitos em minha vida.
Conheci gente massa para caramba, alunos que me deram orgulho de ser professora, dirigi um dos trabalhos mais importantes da minha vida "Cabeças Autônomas", que espero honestamente que voe alto em 2018. Estudei, voltei aos poucos a me exercitar. Produzi muito. Comi muito! Bebi café até pelos poros, chorei bastante afogada na poça do meu travesseiro, respirei fundo umas 500 mil vezes para não esganar muita gente, paguei boletos, trabalhei. Dormi melhor. E faltando duas semanas para o tão 2017 terminar veio a bomba relógio, notícias ruins numa madrugada qualquer ligada a morte na família que me deixou em choque e me fez, nestas duas semanas trabalhar profundamente minha relação com minha família, fisicamente, espiritualmente, astralmente. (contarei sobre voos astrais em outra postagem).
Tudo é lindo, até não ser com a gente. Sempre  se tem palavras certas, até não ser com a gente. Sempre parece fácil resolver, até não ser com a gente ou com alguém que a gente ama. A ideia de morte te faz lembrar da vida e a merda toda que você anda fazendo com ela!
Dois dias para o final do ano. Senti o peso do meu 2017 nestas duas últimas semanas, enquanto colegas desfrutavam de trabalhos natalinos meigos, outros postavam fotos sensuais e super bem sucedidas, eu tentava me olhar no espelho e ver onde é que estava o brilho dos meus olhos. Onde é que eles tinham ficado e porque é, que mais uma vez eu estava no centro do furacão, tendo que resolver tudo (falando da família) que literalmente cruzou os braços e esperou por mim. Cansei! Cansei muito! Quando canso choro e dou risada ou faço xixi na calça. (Só os amigos que não enchem a mão sabem disso). Mas tenho levantado a cabeça todo dia, respirado fundo, mergulhado em mim, nas minhas dores e histórias e procurado me melhorar, mas para isso tive que tocar nas feridas e fazê-las sangrar.
Dois dias...e sabe-se lá o que virá até 2018. Mas não tenho medo. Justiça divina providencial. Tudo tem propósito e eu sei que estou sendo instigada e desafiada a me preparar para um ano espetacular, preciso me curar, para curar pessoas através da minha arte. Preciso estar muito bem em 2018, por mim, para mim e pelos meus!
Os trabalhos continuam, a vida continua e se entregar é uma bobagem. Lutarei até o fim, até os últimos dias da minha vida pela Arte que eu acredito. Pelos meus e pelos que amo! Incansavelmente e sem esperar nada, o que é bem difícil.
Quero abundância, correr menos, mais qualidade de vida, cachês justos, vida mais tranquila, viagens, conhecimento e amor que me faça feliz em todos os sentidos, porque mereço!
Somos artesãos da nossa própria vida, buscamos sempre ir além, temos mãos e pés para nos levarem onde quisermos, mas para irmos precisamos do primeiro impulso do 'querer'. Querer ir! Se você não se ajuda, ninguém vai te ajudar...
Feliz novo ano aos que tiveram a felicidade ou talvez infelicidade de me conhecerem como realmente sou, sem filtro, sem make, sem personagem. Euzinha, nua e crua!
Vou para o meio do mato na virada, sem ninguém por perto, para pensar, respirar e descobrir mais um pouco do que se passa dentro de mim! Autodescoberta!
Não vai ter mesa farta ritualística, não vai ter gente vestida de branco, não vai ter foguete. Vai ter eu e o céu estrelado. Cabeça, pé e coração! O triângulo! Voltarei melhor, serei melhor,me trabalharei melhor. Ainda preciso ME PERDOAR DE TODO MAL QUE ME FIZ nos últimos anos. Chega da migalhas!!! Eu mereço muito mais em todos os sentidos! 
Seguimos amigos! Seguimos e desculpe se da minha boca saíram palavras ásperas que possam ter te magoado, não era a intenção... ou era! Ah não sei, mas agora foi! (kkkk)
Ah não uso preto por ser gorda, uso desde que me entendo por gente, inclusive minhas festa de 15 anos estava de preto. Eu me sinto apoderada com ele. Tenho roupas de outra cor sim, (UAU), mas uso quando sinto a energia... já tentei roupas mais coloridas, mas elas não combinam comigo, acabo sempre dando de presente.
Limpei meu guarda roupa. Juntei três sacos (de roupas boas e usáveis) e dei para minha vizinha. Dar roupa velha, que não serve é fácil, decidi dar as que eu usava mesmo. Despreendimento!

Quanto aos rituais de final de ano, faça aquilo que te faz bem! Isso é o que vale! Esteja com quem quer estar contigo! Diga a quem ama que ama, e a quem odeia que odeia e porque odeia. 

FELIZ 2018!







sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A maturidade de cada aniversário



Ontem completei 41 anos e incrivelmente me sinto com a energia dos 16 porém muito mais centrada. Diferente do ano passado, este ano fiquei quieta no meu canto, só com minhas filhas, meio que "escondida", curtindo minha casa e repensando a vida com café. É meio clichê repensar a vida, mas é quase impossível não fazer uma análise de como foram os 40 e do novo ciclo que se inicia.
Uma das coisas mais legais que aconteceram foram as inúmeras mensagens de carinho recebidas ontem de pessoas conhecidas, amigos, ex alunos, novos alunos e até ex amores, sobre o quanto eu "transformo" vidas com minha Arte, minha luz... 
Há um tempo ficaria sem jeito mas hoje, depois de muita estrada e trabalho, pensando em quantos alunos de teatro já tive, realmente eu transformo. Isso porque amo de todo coração o que faço, aprendi a usar minha intuição, a sentir mais e reclamar menos, estudando muito. Sou sim, uma grande batalhadora da minha Arte!
A vida é espetacular, e me dei conta do quanto sou feliz com o que tenho, com a vida que escolhi, com os amigos próximos, com minha casa, minhas filhas lindas e meus livros. Sou pessoa simples de gosto simples. 
Meu coração anda calmo, saiu de um coma profundo de dor e tristeza, está mais leve e quase pronto para novas emoções. Não tenho saído muito, não tenho mais paciência para algumas coisas e prefiro estar mais na minha, produzindo, escrevendo, e isso me faz muito bem. Meus sonhos triplicaram... realizei muitos e há vários outros em andamento. Jamais me tirarão a capacidade de sonhar e realizar, porque acredito muito no que faço e na qualidade da minha Arte que não me foi dada da noite para o dia.
Tenho aprendido a valorizar mais os que amo e isso me faz entender que posso perdê-los a qualquer hora, como tantos outros que já se foram, e o quanto é importante deixá-los melhor quando os encontro. Me revisitei e estou tentando me reinventar mais uma vez.. olhei fotos e me achei bem melhor agora... mais senhora de mim, independente de cabelos lisos ou não, gorda ou magra, de tênis ou salto, com maquiagem ou descabelada. Sou mais eu! A opinião dos outros de repente passou a não ser relevante, a opinião dos amigos de verdade sim, essas importam.
Minha filha me chamou atenção esses dias, dizendo que eu andava muito "dura" com as pessoas, ela como boa libriana é meiga e quer salvar o mundo, eu como boa escorpiana, sou sincera e ultimamente só quero me salvar desse mundo doido e contaminado de gente chata e sem conteúdo! Desculpe, mas tá foda ser legal e só recebe crítica de gente sem argumento!
Meus ex amores, hoje são grandes amigos e isso me conforta, saber que consegui separar as coisas e evoluir em relacionamentos. Ando sozinha e curtindo pra caramba minha vida, meu tempo, minha casa, meus cafés comigo mesma. A qualidade do meu tempo não tem preço. troco tudo pelo prazer de ficar na minha casa, que quase nunca fico, por isso valorizo tanto!
Ah, aprendi a dizer não! Não faço mais nada que me deixe infeliz para agradar ninguém! Me demiti de três lugares esse ano, mudei, de cabelo, de ideia,de atitude... eu sempre mudo. Sou perita em regeneração. Quando não gosto falo. Quando gosto, falo!  Eu sempre falo! O que minha filha chama de "dureza" eu chamo de "maturidade"! A maturidade também dói, também é sofrida, porque na hora da dor, é sempre você com você mesmo, no fim das contas. Ninguém vai te ajudar, é você que tem esse poder! Só você!
Tiveram algumas mensagens que realmente me fizeram pensar muito na qualidade da pessoa que sou e que ainda posso melhorar e vir a ser, e isso realmente foi fantástico! Tenho trabalhado com muita gente especial, gente talentosa, gente honesta e comprometida mas também com gente que devia para de usar teatro como espelho do seu ego doentio. Me afasto! Estratégia! Tem funcionado. Não brigo mais, mas não preciso conviver com gente aproveitadora que se aproxima quando precisa de "trabalho" ou curso de graça... como seu eu não soubesse ler nas entrelinhas...
Vivo bem! Não acredito mais nos contos de fadas nem no príncipe encantando, a vida me ensinou que sou a Rainha de Copas da minha própria vida, e que se quiser algo , tenho que fazer acontecer...
Recebo meu novo ciclo de 4.1. feliz, turbinada (cheinha de curvas deliciosas), segura de quem sou e do que quero para mim. Ou está comigo ou não me atrapalha... Me achou egoísta? Não me julgue, você não conhece minha história, mas te convido a tomar um café e bater um papo. Depois de conviver cinco minutos comigo, vai me odiar ou me achar extremamente interessante. Não sou meio termo!
Seguimos sempre!!
Feliz aniversário de serenidade para mim!!!