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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Adeus Ano Velho...tempo de voltar-se para dentro!!


Penúltimo dia do ano...redes sociais já sinalizam suas mensagens comuns de "Feliz 2015", os vídeos de retrospectiva que na maioria das vezes ninguém vê espalham-se no ar...depois do Natal, comecei a sentir um certo alívio no ar deste 2014 que foi para lá de difícil, truncado, cheio de mudanças das quais não pedi, cheio de decisões das quais eu nem estava preparada para tomar e um monte de decepções que eu não esperava vir... que ano!
Então me questiono depois de tudo que passei este ano (e olha que não foi pouca coisa não minha gente) se estou na direção certa, se venho fazendo o melhor que posso, se tenho corrido atrás do que é justo, se tenho me proposto de fato a ser feliz...é...bem...acho que sim!
Analiso-me! Questiono-me! Interfiro!
A vida, o progresso, a paz, tem por base o que fazemos de nós, as tendências que seguimos, boas ou más ditam nossa trajetória...confiar em si mesmo apesar de tudo...afinal quem se analisa com sinceridade melhor se enxerga...vou literalmente "me enxergar"!
2014 apesar de toda sua carga pesada, me trouxe ensinamentos que há anos eu não tinha, da forma mais dolorosa é verdade, mas por isso será inesquecível, porque doeu, cada dia desse ano teve uma dor "especial" se assim posso dizer...
Doeram as escolhas, as pessoas, as palavras, os trabalhos, as viagens, as verdades, as surpresas, as perdas, as rupturas e os cortes bruscos, esses foram cruciais...quando falo "doeu", é um doeu de quem como criança "desobedeceu" e colocou a mão onde não devia...criança travessa!
Porém com essas dores vieram forças indescritíveis, amigos fiéis, trabalhos com preciosos desafios, coragem de seguir, e muita, muita força e fé.
Se esse era o teste, aviso aos navegantes...eu segui...eu continuei... eu levantei a cabeça...eu continuei caminhando...eu segui meu caminho...como sempre fiz...
Perdi aqui, ganhei ali...como se não bastasse, depois de 13 anos, serei mãe de novo...sei do meu compromisso, foi uma escolha, nada ao acaso...os fins não justificam os meios...2015 me trará Helena...já tendo minha Ísis...preciosas pérolas...
Amadureci muito...entendi tanto...respirei fundo...busquei luz onde ninguém via possibilidades. Os medos bobos já não me cegam, a proteção divina é tanta que não tenho medo...sei que não estou só e tenho consciência do meu poder pessoal, de quem sou eu, de onde quero chegar.
Ando devagar...já tive tanta pressa...aprendi a ter paciência e sempre odiei essa palavra...
2015 será o ano de voltar-se para dentro, esquecer um pouco os outros e cuidar mais de mim...qualidade e não quantidade. Ano de retomar a espiritualidade tão presente mas tão pouco valorizada por mim. Ano meu! Em todos os sentidos!
Aos inimigos: obrigado! Me trouxeram ensinamentos e bens duradouros e digo, já não tenho mais idade nem vontade bater de "frente" com ninguém, esses joguinhos não fazem mais parte de mim...enquanto vocês passaram o tempo me alfinetando por coisas fúteis, meu foco e atenção eram completamente opostos...não gastei energia com vocês e não gastarei mais!
Aos amigos que apareceram ou reapareceram: obrigado! Me trouxeram acalento, palavras de consolo, abraços preciosos e verdades inspiradoras...
Ao teatro: mais um ano juntos, redescobrindo verdades, fazendo arte, fazendo pensar e rever nossa função juntos...meu velho companheiro de sempre...só nós sabemos o que já passamos nos palcos da vida eim?!
A Providência divina: obrigado por tudo! Do primeiro ao último dia de 2014 eu tive um ensinamento e sei que me comprometi com muita coisa...continuem me guiando através da minha arte e me dando força e coragem para seguir...que assim seja!
Depois de 2014...(risada alta) pode vir 2015...estou super tranquila te esperando e te digo...o pior já passou!

Daqui pra frente...tudo vai ser diferente! O melhor está por vir!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INTENSIVO DE VERÃO "O ATOR E SUA VERDADE"

De 12 a 16 de janeiro de 2016
Local: D’arte Espaço Multicultural (ao lado da Igreja Matriz em Canela)
Horário: das 18h às 22h

Uma intensiva vivência de 20 horas, trabalhando sobre si mesmo, onde o ator distancia-se do “representar” para aproximar-se do “apresentar”. O programa aborda provocações para transformar a verdade do ator em concepção cênica. Intensidade entre lugar e conflito. Anseios e Desejos. Dramaturgia da minha verdade, condição do aqui e agora do corpo cênico numa perspectiva de unidade entre arte e vida.
O processo tem como objetivo potencializar a presença do ator e sua dramaturgia cênica, partindo da sua própria verdade, emocional e física, exercendo uma boa visão das ferramentas e decisões a tomar. Permitir-se desequilibrar é altamente criativo para o ato de criação. É nesses momentos de crise que a inteligência inata e a imaginação intuitiva entram em campo. O desequilíbrio é mais frutífero que a estabilidade. Convido a todos a saírem de sua “zona de conforto” e descobrir afinal, qual é a sua verdade agora?
LISIANE BERTI – é atriz, diretora, dramaturga e professora de teatro. Possui o Curso Seqüencial de Formação do Ator pela UCS e recentemente graduada em Artes Visuais pela UFRGS. Ministra oficinas para crianças, jovens, adultos e terceira idade em Canela e Gramado. Fundadora do Grupo Teatral Artigos de 1994 a 2011. Recebeu importantes prêmios a nível estadual e nacional. Ministrou workshops de teatro na Colômbia e Peru. Atualmente ministra cursos de “Expressão Teatral e Desinibição” na UCS – Núcleo de Canela. Preparadora de elenco do espetáculo “Korvatunturi” em Gramado atualmente e uma das diretoras do espetáculo “Simplesmente Natal” em Canela. Desde 2011 iniciou a pesquisa de trabalho pessoal “O Ator e Sua Verdade” instigando a criação a partir da verdade do ator, seus medos e anseios, desvencilhando-se de seus obstáculos, apostando na intuição e na verdade cênica, transformando em energia criativa, sabendo como usá-la. Em 2013 lançou o livro “Dona Gorda e Outras Peças”.

MATRÍCULAS E INFORMAÇÕES:

1)      Participantes: atores, bailarinos, performers, estudantes e simpatizantes desta área;
2)      Local: D’arte Espaço Multicultural

3)      Valor: R$ 300 por pessoa 
Mais informações: lisiberti@gmail.com

Sergio Azevedo Fotos - Intensivo 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

A gente escolhe, recolhe e se "encolhe"...



Mais um aniversário...mais um ano que se foi...mesmo sem querer sempre refletimos...a gente escolhe, recolhe e se "encolhe", cada vez mais dentro de nós, cada vez mais consigo e isso não é ruim, é transformador... os amigos já não são mais os de festa, as parcerias de trabalho são escolhidas a dedo e com muito cuidado, o tempo é outro, queremos mais qualidade e menos quantidade, aprendemos a esperar, entendemos as perdas sem chorar tanto, diluímos mágoas, ouvimos mais sobretudo nossos desejos mais íntimos, nos importamos menos com a opinião dos outros... pelo menos me vejo assim agora... fazer festa de aniversário esse ano parece não ter muito sentido, porque consigo fazer isso em outros momentos sem ter um "que específico" , acho que fazemos aniversário um pouco todo dia, é como um cronometro que é zerado e você tem o tempo de um ano para fazer valer, mas sabe que vai passar, o que vai fazer com esse novo ano, esse novo tempo que te é dado, é problema unicamente seu...
Estou zerando o meu hoje e começando do O meus 38, ainda me sinto com 16 de alma, mas o peso dos 38 vem com toda a bagagem de aprendizagem... Os meus 37 não foram tão bons assim , mas unicamente por escolhas minhas que não pretendo repetir nos 38, o meu recomeçar vai ser diferente, quero coisas novas, quero coisas que não fiz em 38 anos de vida, se é que me entendem...assumo quem sou, como sou, onde estou...assumo minha arte com responsabilidade e integridade, assumo minhas filhas, a que tenho e a que está por vir com toda seriedade e humanidade que me é possível, assumo meus erros para melhorá-los um pouco, pois não sou perfeita. Assumo a vida como minha responsabilidade exclusiva, ela é da minha conta, ela é minha, ela só diz respeito a mim!
Que venha o novo ano, o novo ciclo, o novo tempo, os novos aprendizados, os novos desafios, os novos conflitos, as novas ideias, as novas peças, os novos  textos, os novos alunos, os novos amores, os novos desafetos (sim, eles também existem), o NOVO em si!
E termino com uma frase do grande artista Leonardo da Vinci, um homem inovador e a frente de seu tempo: " O tempo dura bastante para aqueles que sabem aproveitá-lo."

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Bom e Velho Tapa na Cara


Um bom tapa na cara tem seu valor: ético, moral, porque não, filosófico! Quando falo no tapa na cara, não falo de agressão física e do ato em si, mas sim da forma como as coisas acabam sempre chegando até nós e nos atropelando todos os dias, de forma brutal. A verdade não dita que chega e nos machuca, o fim de algo que não queríamos e relutávamos mas sabíamos que já acabara, a resistência ao novo! O tapa nos tira do eixo, nos "sacode", mexe com nosso íntimo, nos dá raiva, nos deixa por um tempo com "rosto marcado". Minha avó sempre dizia que quem dá o tapa esquece mas quem recebe, jamais! É mais ou menos assim mesmo, a marca fica ali, não no rosto, mas na alma. Dói, lateja, pode até sangrar. Dói tanto que não acreditamos e colocamos a mão no lado que foi agredido, como se isso aliviasse a dor...seres hipócritas que somos! 
Pior que receber o tapa é ver arrependido quem o deu, quem não pensou e agiu por impulso, afinal, tapas não são planejados, eles simplesmente acontecem. De forma imprevisível!
Com o tempo a gente acaba evoluíndo e acaba até oferecendo a outra face, já sabemos o quanto dói e o que devemos fazer para não sangrar. A vida ensina! Sempre! 
Benditos tapas nossos de cada dia! Nos fortalecem como seres irracionais que somos às vezes...

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Os Labirintos da Vida


O labirinto do qual Teseu escapou, graças ao fio de Ariadne, fora construído por Dédalo, um artífice habilidoso. Era um edifício com inúmeros corredores tortuosos que davam uns para os outros e que pareciam não ter começo nem fim, como o Rio Meandro, que volta sobre si mesmo e ora segue para adiante, ora para trás, em seu curso para o mar.  Dédalo construiu o labirinto para Minos, mas, depois, caiu no desagrado do rei e foi aprisionado em uma torre. Pôs-se a fabricar asas para si mesmo e para seu jovem filho, Ícaro. Quando as asas ficaram prontas, pediu a ele que não voasse alto demais por causa do sol e nem baixo demais por causa da umidade. Os dois alçaram voo. Exultante com o voo, o menino abandona seu pai e tentou alcançar o céu. O ardente sol amoleceu a cera das asas, acabando por mergulhar nas águas azuis do mar que, daquele dia em diante, recebeu seu nome.
Partindo do mito, vamos a nossa vã realidade. Os piores abismos são os criados por nós, quando alimentamos ilusões, quando forjamos nossa intuição com inverdades construíndo castelos de areia, sonhos de mentiras...e acabamos presos. Presos em nós mesmos, e não existe pior prisão que essa, porque somos prisioneiros de nossas facetas, somos habilidosos em nos auto destruir. Aguçamos nossa mente a tal ponto que ela nos leva ao nosso extremo. Dédalo perdeu o filho e depois tentou matar o sobrinho porque era mais habilidoso que ele, e sua vaidade o envenenou.
Quando nos esquecemos da nossa essência para dar voz as nossas sombras, aquelas das quais fugimos o tempo todo, somos aniquilados pelo dedo do destino que é sempre implacável, ele nos prende por um tempo e nos sentimos ameaçados, fracos, inertes. Mas só porque não andamos, não significa que não estejamos em movimento. Só porque não vemos a lua não significa que ela não esteja no céu, só porque choveu não significa que não haja sol, sempre há! Mas nem sempre queremos ver além do óbvio!
Ver o que ninguém vê, ofício de poucos...sentir o que muitos desconhecem, entregar-se ao acaso seguindo o coração. Ter coragem de dizer sim quando todos acreditam que o melhor é não ir... Não voar alto demais por causa do sol e baixo demais por causa da umidade, mas sempre "voar"...seja para onde for, seja para cair tantas vezes forem necessárias...eu sempre escolherei voar, e por mais que caia no mar umas cem vezes e outras tantas por terra, nada nem ninguém vai impedir meu voo, porque eu sei exatamente onde quero chegar e com quero chegar...
É provável que caia em muitos labirintos criados por mim, mas com o passar dos anos a gente também vai ficando mais habilidoso na arte de escapar de si mesmo, porque quando queremos, somos nossos piores torturadores.
Agora voo com calma, já tive pressa, já tive impaciência, junto as penas, colo com cera, aprendi que perto do sol derretem, vou mais devagar, traço rotas de fuga, ando com pequenos "kits sobrevivência", caso me prenda em labirintos, agora quando caio neles, faço desenhos nas paredes, assim já sei por onde andei, não perco tempo repetindo passado, não me lanço no futuro...meu voo é plano, é contemplativo, é planejado!  Desafio o mar e as tempestades e se quiserem interromper meu voo e se lançar no meu caminho, terão que ter no mínimo a mesma força que eu, não luto mais com inimigos fracos e pequenos, que venham os grandes e poderosos, os respeito, mas já aviso, não desisto fácil, afinal sei o trabalho que dá juntar pena por pena para reconstruir minhas asas...poderíamos parar de perder tempo com lutas desgastantes e unicamente seguir, o céu é grande e há espaço para todos que sabem onde querem chegar...EU SEI!

Dédalo e Ícaro



quarta-feira, 14 de maio de 2014

Definir o presente?


Será necessário definir o presente para falar de futuro? O presente seria uma vertigem ilusória de momentos passados e futuros? Einstein disse que" o universo é um aglomerado de acontecimentos energéticos superpostos não-simultâneos..." Sim, o mundo está em crise e o nosso desafio nunca foi tão emocional ou emocionante?  O mundo se tornou um gueto criado pelo nosso próprio silêncio. Estamos no meio de um massacre psicológico.  
Minha definição para o presente é vórtice, um turbilhão que se move constantemente para frente e nosso desafio é como o jogo três-marias, cada vez que o peso cai, mais pesos tem que ser pegos de uma só vez. Envolve uma forma de magia natural, com velocidade e destreza e joga com todas as possibilidades que se multiplicam geometricamente. Seria muito mais criativo dar um salto até o futuro e deixar os rastros dos ventos no presente.
Incrivelmente, nada é novo. Não existe numa história de momento, dois momentos semelhantes, eis a contradição. Precisamos ser mais críticos de nós mesmos, entender o que se passa no âmago, dentro de nós. Aí não há silêncios, há um mundo a ser explorado cheio de descobertas inovadoras. Precisamos ser mais experimentadores de si, criar manifestos pessoais, com clarezas, com buscas, com trajetos de caminhos a seguir, a voltar, a desviar...
Essa discussão é tão antiga, como disse, nada é novo. Vivemos a repetição de lições que não aprendemos, e como não aprendemos precisamos repetir...Até quando? Ando me consumindo pelo que está por vir... preciso significar algumas páginas das últimas lições para receber outras.
Descobri embaraçosamente que tenho estado cansada de "gente". Cansada de gente especializada em "representar" dentro e fora dos palcos. Cansada de gente que assim como alguns médicos do mercado negro, se especializam em neurocirurgia sem estudar anatomia. Gente sem firmeza, quero me livrar delas, sabe... quero gente próxima com mais significado como verdade...DE verdade!
Acho que os seres humanos estão se degradando com o passar do tempo, estão falindo enquanto seres ditos "humanos", e se faliu, precisa fechar, precisa parar, precisa reconhecer o que foi e já não é...Precisamos refletir mais sobre o que constitui o visível e invisível, o que realmente nos serve e o que nunca deu certo...o que é nosso por direito e o que precisamos descartar, desapegar...
O sangue está correndo nas veias e correr é escrever...ritmado pelo coração. Meu coração está calmo hoje, meu punho sempre acelerado...há tanto ainda a escrever e escrevendo me relaciono comigo, este é meu jeito de mergulhar em mim...meu lugar de linguagem e espaço. E aqui sigo...escrevendo...escrevendo...escrevendo!

sábado, 3 de maio de 2014

O Amor se quebra ou rompe barreiras?

Ouvi de uma amiga querida que a distância sempre aumenta tudo...a dor...a saudade...o amor... ela também me disse que não escuto o que ela diz porque só dou ouvidos ao "que quero escutar" e pensando cá com meus botões, ela tem razão...
Então poderia definir a "distância" como uma personagem melodramática, exagerada, que sofre com tudo no contexto e lá no final, terá um final feliz...
Eu já acreditei bastante em finais felizes, não aqueles dos contos de fadas porque na prática a gente sabe que o "felizes para sempre" não existe, mas aqueles em que tudo de certa forma se encaminha para o melhor, mesmo que esse melhor não seja "o melhor" para a gente no momento.
A mesma amiga me disse também uma vez, que eu era muito corajosa, porque ela jamais teria a coragem de dar seguimento em alguns relacionamentos como eu dou...às vezes acho mesmo que seja coragem outra vez acredito que beiro à loucura. A loucura de acreditar...acreditar que nada nos acontece por acaso, acreditar que mesmo que lá atrás deu errado, não significa que tudo vai se repetir, a não ser que não tenhamos aprendido a lição.
Tenho prestado atenção na letra de uma música, aqui do Sul mesmo, chamada "Os Cardeais" de Cézar Passarinho que diz:

Não chora, menina, não chora por que foram-se os cardeais (Desculpa aí, mas eu choro sim quando tenho vontade)
Se cantavam, na prisão campo a fora cantam mais (será mesmo que cantam mais?)
Tanta gente, anda vagando sem saber onde pousar (ah isso eu concordo!)
Mas as aves, só voando é que podem se encontrar (então...acho que preciso "voar")
(Você ainda não sabe o que cabe nesta paz
Quando a gente, abre as asas nunca mais, nunca mais) Bis (verdade...nunca mais...)
Era tão triste menina não tinha aceno este cais
Na despedida eram dois depois, depois serão mais (que assim seja!)
A gaiola abriu as asas por que até a prisão se trai
E o campo se fez casa para o canto dos cardeais
Então vejo o quanto sinto falta de pequenas coisas, o quanto o menos é mais...enquanto as pessoas se prendem a "fuxicos" e detalhes supérfluos, meu foco e minha preocupação está em outras coisas, bem longe daqui, muito além daqui... Ando ultimamente tentando simplificar mais a vida e entendê-la sem filosofar tanto, mas quem disse que sou capaz disso? Quem disse que a vida foi feita para entender? Vive-se para viver, aprender...quantos aprendizados ultimamente. Trocando de pele...novo ciclo, nova forma de pensar e agir...por sinal tenho ficado mais quieta, mais "off" que "on", obviamente isso desperta a curiosidade de alguns, o espanto de outros e comentários inúteis dos "sempre maldosos de plantão" ...mas não me importo mais...assim como os cardeais, preciso sair "campo afora", cantar mais...e amar...bem...amar me deixa em estados...estados que por ora me energizam, por ora me desestruturam... Eu não consigo fingir não ser, fingir não querer, fingir não gostar...busco o controle, mas como todos, me descontrolo. Tenho ânsias absurdas de mim, do outro, de nós...mas logo passam...
Minha filha me diz que quero tudo para ontem...que estou sempre em estado de "urgente" e nem sempre é tão urgente assim...respiro! Leio, ouço músicas até riscar os cds (somente as preferidas), trabalho, sigo, sonho...sonho muito...
Em mim agora repousa uma mistura de amor e solidão, de vontades e desejos, de medos e desafios...uma outra etapa passou. Seguiu. Outra nova começa. Uma atrás da outra e tenho tido tempo de respirar. Falando com meus alunos adultos estes dias, brinquei com eles se quando choravam já se olharam no espelho pensando em um personagem que estivesse naquele estado...incrivelmente logo a vontade de chorar passa...quando não vem seguida de uma risada...
Sei que tenho de ser paciente, respirar, esperar...mesmo que isto me dê calafrios é o que se tem... mas isso não significa que esperarei inerte, que ficarei à disposição, eu não sou assim. Por isso questiono: Amor se quebra ou rompe barreiras? Amor é tudo ou nada? Maldita distância que corrói...palavras não ditas podem ser mal interpretadas, palavras ditas secamente passam a ser questionadas, na ausência celebra-se a presença mas e quando se está perto?  O que é estar perto realmente? É estar ao lado o dentro da pessoa? Sentimentalismo a parte sem nem de longe estar em TPM, divago aqui...para mim...cá com meus "botões" no meu blog onde não corro o risco de "querer dizer algo a alguém"...só estou escrevendo, porque amo escrever e isso sempre me fez bem...talvez outros leiam e se identifiquem ou detestem...honestamente não importa porque não estou no momento para me preocupar com opiniões alheias...sabe quando não interessa? Então...não interessa!
Sigo amando...do meu jeito...atropelamentos a parte, acho que amo bem, amo com vontade e autenticidade, amo com verdade, amo com entrega mesmo querendo urgência. Sem muito romantismo, mais realista, mais questionadora, mais presente... e se meu amor não serve, me deixem ir com os cardeais, afinal, depois que a gente ama e abre as asas...nunca mais...nunca mais!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Fantoches" no Peru

E a Cia Lisi Berti está arrumando as malas para voltar ao Peru pela terceira vez, porém, desta vez com um trabalho adulto, uma proposta ousada, "Fantoches".
A convite dos Comediantes Itinerantes (Cia de teatro e ponto de cultura em Trujillo/Peru) a Cia irá apresentar-se na Universidad del Norte realizando cinco apresentações.
"Fantoches" fala de Dois homens. Uma relação afetiva insatisfatória repleta de lacunas, culpas, desejos e manipulações. Será que para nos relacionarmos precisamos estar sufocados pela vontade do outro? Ou, em contrapartida, precisamos manipular o outro para que nosso relacionamento dê certo?

Ficha Técnica
Texto: Lisiane Berti e Patrícia Viale
Direção: Lisiane Berti
Preparação de elenco: Alindor Estrella Figueroa
Elenco: João Osmar e Marcelo Wasen
Iluminação e Trilha Sonora Original: Alindor Estrella Figueroa
Coreografia: Lisiane Urbani e Maria Lina da Rocha
Cenários: Lisiane Berti
Fotos: Sérgio Azevedo

Produção: Cia Lisi Berti
 A Cia também fará uma apresentação na capital peruana, em Lima, na Casa Espacio Libre no dia 27 de maio.

Flyer de divulgação que já circula no Peru


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Da polêmica crítica à Paixão de Cristo em Canela

Depois de ouvir e ler comentários em redes sociais sobre a polêmica crítica de um “babaca vindo de fora” (termo esse repetido várias vezes nas calorosas discussões) não poderia deixar de dar minha opinião, mesmo que não solicitada, então decidi escrever no meu blog onde sempre escrevo e divago pelo único prazer que me dá a arte da escrita.
Vamos analisar a situação observando-a de fora: de um lado um ator e diretor profissional de outro país com formação teatral que escreveu uma opinião crítica (sem ninguém ter solicitado), do outro vários atores profissionais também com formação teatral, amadores (não gosto deste termo mas vou usá-lo não pejorativamente) e pessoas da comunidade envolvidas num dos eventos que para mim sempre foi um dos melhores de participar, A Paixão de Cristo, onde sabemos das dificuldades que o evento encontra para ser realizado e onde sempre temos que fazer “milagres” com pouca verba e muito esforço. É assim há anos, independente de partidos políticos.
Mas para falarmos da situação e toda a proporção que ela tomou nos últimos dias, vamos voltar um pouco no tempo e pensarmos na questão da crítica em si... É verdade que a tradição da crítica teatral brasileira não é especialmente lisonjeira: com algumas exceções, entre os quais escritores do gabarito de um Arthur Azevedo ou de um Machado de Assis, que chegaram a ser críticos atuantes, no seu conjunto ela assumiu, no passado, uma linha paternalista e acomodada que pouco podia contribuir para a abertura de uma discussão fértil em torno do teatro. No Rio em 1963, Bárbara Heliodora, apoiada numa formação erudita e numa inovadora contundência irônica, enfiava saudáveis alfinetadas em muitos balões excessivamente inflados; Paulo Francis levava a contundência a extremos ainda bem mais radicais, ao mesmo tempo em que abria em torno do teatro, pela primeira vez, uma discussão eminentemente política, sem prejuízo da pertinência das suas colocações estéticas; profissionais inegavelmente conhecedores do assunto e a ele profundamente dedicados, como Gustavo Dória ou Henrique Oscar, ajudavam a iniciar o público em muito segredos do teatro, e estimulavam o seu interesse. O teatro brasileiro, que queimava etapas na sua evolução, era diariamente discutido nos jornais, que lhe abriam generoso espaço, com uma vitalidade e um profissionalismo à altura do seu progresso.
A partir de 1964, e com maior nitidez a partir de 1968, a crítica viveu outro capítulo significativo, embora num contexto diametralmente oposto ao anterior: num momento em que o teatro se via esmagado pela mais brutal ação da censura e de outras formas de repressão de toda a sua História, a crítica – embora ela também, como todo jornalismo, sujeita a pressões impiedosas – assumiu bravamente a defesa da liberdade de expressão do teatro, e cumpriu um papel significativo neste campo de batalha. 
Problemática, polêmica, ameaçada de falência e de estar à margem do seu próprio universo de atuação, ela não se cala. Sob olhares desconfiados por todos os lados ela permanece, há séculos, como pedra, sobrevivendo aos que não lhe querem. Maldita, é infalível e independente. Se não há mais lugar para ela aqui, encontra acolhimento ali, transita, transmuda, se move. A crítica não está falida, não está morta e pertence mais ao mundo da arte do que muitos eventos que se autodenominam artísticos. Ela está apenas em crise. Bom para ela: este é o seu habitat natural. Em 2008 quando fazia minha primeira temporada com a peça “A Encalhada” em Porto Alegre, um crítico foi assisti-la e publicou num blog (que existe até hoje) as piores coisas que eu podia ler sobre minha peça. Entrei em choque! Reli várias vezes, pesquisei quem era o crítico e publiquei no seu blog, onde havia a crítica da minha peça e toda a “elite cultural de Porto Alegre” poderia ler, que agradecia sua crítica e ia pensar a respeito.Ele agradeceu minha elegância e até hoje nos comunicamos. A crítica pode ser acessada,  pois o blog dele permanece ativo. Depois de 6 anos fazendo a peça olho para trás e vejo que realmente tinha várias coisas a melhorar, mas continuo discordando de outros pontos.
Voltamos a polêmica da crítica publicado no face do “cidadão de fora” que foi compartilhada em outro face com um cabeçalho maldoso justamente para gerar polêmica. Não sei se todos entenderam o que leram, eu honestamente tive de ler duas vezes a opinião postada em espanhol, porque continha várias metáforas, e cá para nós, podia ser postada em russo que ia gerar a mesma polêmica, pois a questão não é o idioma, é outro que logo falaremos. O que se desenrolou dali foi uma série de comentários que se analisarmos friamente, parece de pessoas que foram lendo os comentários dos outros e “seguindo o fluxo” de xingamentos, desabafos magoados, raiva coletiva entre tantos (alguns posteriormente apagados) com ressalva a diretora e produtora do espetáculo que respondeu com toda a classe, dando uma opinião eloqüente, e quem a conhece sabe que ela é realmente assim.
Não vou defender lados, nem dar minha opinião sobre o espetáculo, quem me conhece sabe que não costumo fazer isso em rede social e quando faço geralmente é falando com as pessoas que pedem minha opinião e realmente tem interesse nela, o que não é o caso. O que venho questionar aqui é a proporção que isso tomou em segundos e virou o assunto do momento na nossa pacata Canela (que de pacata não tem nada) e a argumentação utilizada para discutir o assunto que me deixou muito triste. Poxa, porque essa “união” não acontece quando temos que formar nosso conselho de cultura, quando precisamos reivindicar melhores condições ou simplesmente participar de um manifesto em homenagem ao Dia do Teatro, onde nem a metade dessa mesma massa cultural sequer apareceu?
O cidadão em questão foi trazido por mim para a maratona de monólogos, onde na ocasião foi jurado, juntamente com outras duas pessoas, com o único propósito de analisar e criticar para aperfeiçoar os trabalhos apresentados. A mesma pessoa também realizou oficinas na nossa cidade no mesmo evento e posteriormente em outros espaços, onde muitos que estão no elenco da Paixão de Cristo tiveram a oportunidade de conhecê-lo, e sabem como ele é e como se posiciona, mesmo quando não é chamado. A mesma pessoa dirigiu dois trabalhos na minha Cia como “Fantoches”, onde no final nos propusemos a abrir bate papo ao público para que criticassem nosso trabalho. A mesma pessoa criticou duramente outro monólogo meu, onde na ocasião além dele, haviam convidados, os quais respeito a opinião para irem assistir e criticar novamente meu trabalho. Deixo claro que divergimos em opiniões principalmente quando o assunto é Stanislavisky e que não sou o tipo de pessoa que “segue” idéias sem questionar e estudar profundamente o assunto.
O espetáculo em questão é dirigido por duas pessoas também conhecidas por mim, um formado pela Escola de Teatro de Pelotas e a outra com um vasto currículo de atividades culturais na região, inclusive realizando trabalhos pela minha Cia. No elenco, alunos, ex alunos, colegas, amigos de longa data, pessoas que ensaiaram muitos dias no frio Parque do Lago, buscando dar o seu melhor, junto com toda a equipe que também já trabalhou comigo em diversos outros eventos. Respeito ambos os lados, pelas suas trajetórias, pelos seus trabalhos, pelas suas perspectivas de fazer e se envolver com arte. Sempre procuro tirar algum ponto positivo de tudo, e tenho tentado nos últimos dias pensar o que preciso aprender com tudo isso. Questões para pensar:
1) Será que todas as pessoas que vem de fora com algum conhecimento, querem “tirar nosso lugar” e “impor” o que sabem quando dão uma opinião imparcial (imparcial porque justamente é de fora)? Vocês realmente acreditam nisso? Somos tão medíocres assim? Me incluo no “somos” porque já recebi crítica de “gente de fora” não só em Canela mas em diversos festivais e eventos que participei, em outros países em que fui e eu era a “gente de fora” que ia mostrar trabalho e dar a cara a tapa. Na verdade quem trabalha com arte sempre dá sua cara a tapa, mas na verdade nem sempre estamos preparados para sentir a dor do tapa, e aqui mais uma vez me incluo, porque sempre sou alvo de críticas. Recebemos duras críticas no espetáculo “Simplesmente Natal” e o que e de gente daqui mesmo, da cidade. E isso não foi o fim, talvez o começo...
2) O que gerou tamanha polêmica foi realmente a opinião (com ar arrogante mas com argumento teatral) de um “babaca de fora” ou porque a pessoa em questão fez alguns trabalhos comigo? Aqui sem ego, porque não sou melhor do que ninguém!
Enfim, poderia escrever durante horas porque argumentos e experiência no ramo não me faltam assim como muitos do assunto em questão, justamente nesses eventos que aprendi muito sobre produção, coordenação, trabalho em equipe, nas épocas em que trabalhei com Elias da Rosa, Paulo André, Tiago Melo, Jerry e Lucia entre tantos outros que não vou esquecer.
Honestamente, se o cidadão é um “babaca de fora”, não dêem foco, tensão gera foco já dizia Peter Brooke, sigamos com nossos trabalhos, cada um sabe onde aperta seu sapato, cada um sabe da sua história e seus valores. Não vai ser a opinião de um “forasteiro” ou de qualquer pessoa que vai diminuir quem somos, sempre digo as pessoas que trabalham comigo que em primeiro lugar faço teatro para mim, para minha realização, depois vem o público que sempre deve ser levado em conta e pelo que li e vi nos “posts” o espetáculo emocionou, o elenco estava satisfeito com sua atuação, a direção cumpriu com seu objetivo. Bingo! É isso que vale! Não precisamos que venham nos dizer quem somos ou como fazemos, mas precisamos sim aprender a não levar a crítica seja de quem for, tão pessoalmente e nos ofendermos e nos magoarmos...isso só nos faz mal! Imagina se a Bárbara Heliodoro viesse assistir nossos espetáculos em Canela? Infartaríamos? Ou quem sabe aproveitaríamos para um caloroso bate papo maduro? Eu ia sentar horas do lado dessa mulher com um gravadorzinho..
Da minha parte continuo fazendo meu trabalho, desenvolvendo minhas idéias, buscando, levando “tapas na cara”, recomeçando, redescobrindo, amadurecendo assim como muitos por aqui. Ainda acho que temos que deixar picuinhas de lado e focarmos no que realmente interessa, no que realmente possa agregar ao nosso trabalho. O que agrega sempre nos fortalece, o que não serve, filtramos, diluímos, DELETAMOS!
De qualquer forma, seria difícil não concluir que a crítica é característica indissociável do pensamento do homem moderno. A atitude crítica é uma forma de estar no mundo que é própria ao nosso tempo. Enquanto estivermos por aqui, ela também vai estar. E sempre que houver algum tipo de soberania em jogo, ela vai ser um problema. E se o que estiver em jogo for a sabedoria/humildade, ela, a crítica, será sempre um coeficiente de construção, afinal para ser um bom artista, é preciso ser um bom ser humano já dizia o diretor Rodrigo Cadorin, que sempre faço questão de que vá assistir e criticar os meus trabalhos, isso aplica-se também aos fotógrafos, que em nossa cidade mostram-se fomentadores de opiniões, que prevaleçam sempre as positivas/construtivas porque essas sim nos elevam o espírito e nos tornam seres humanos melhores, afinal bons seres humanos são também bons profissionais,  e a recíproca também procede.
Me coloco à inteira disposição de ambas as partes da polêmica para quaisquer esclarecimentos (pessoalmente), porque esta será minha única publicação na rede em relação a este assunto que ramificou de uma forma absurda. Afinal tenho visto que cada um escreve o que quer,  ouve o que não quer e interpreta da forma que melhor lhe convém. Uma pena tudo isso!
Lisiane Berti



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Cartas de Além Mar" no Porto Verão Alegre

Neste final de semana a Cia Lisi Berti que completou 20 anos em janeiro de 2014 estará com o espetáculo adulto "Cartas de Além Mar" dentro da programação do Porto Verão Alegre no Teatro de Arena às 21h.

  1. Sinopse:
“Cartas Portuguesas”, autoria atribuída à freira Mariana Alcoforado (1640-1723) e destinadas ao Cavalheiro De Chamilly, oficial do exército francês, que serviu em terras lusas, são um dos mais ardentes escritos de que se tem notícia sobre a solidão e agonia amorosa, o retrato de um romance mal-aventurado que atravessou gerações.
Adaptado e interpretado por Lisiane Berti , “Cartas de Além Mar” nos remete a uma paixão devastadora, uma entrega sem exigências a um amor desesperado cheio de solidão e ansiedade, onde as dores da ausência vão se transformando em inúmeras cartas como uma forma de aliviar a dor.  Apenas uma mulher, vivendo distâncias absurdas de si mesma...

Ficha Técnica:
Texto: adaptação de Lisiane Berti das “Cartas Portuguesas” de Mariana Alcoforado
Direção: Alindor Estrella Figueroa
Iluminação: Lennon Ortiz
Trilha Sonora Original: Alindor Estrella Figueroa, Flavio Martinez Beltran e Sergio Eli Vela Ioung
Gravações: Garun Estúdio Trujillo/ Peru
Figurinos: Fabrício Ghomes
Cenários: Lisiane Berti
Programação Visual: Tiago Melo
Fotos: Sérgio Azevedo
Produção e Realização: Cia Lisi Berti




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