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sábado, 24 de setembro de 2016

O amor que moveu Mariana em Cartas de Além Mar

“Cartas Portuguesas", autoria atribuída à freira Mariana Alcoforado (1640-1723) e destinadas ao Cavalheiro De Chamilly, oficial do exército francês, que serviu em terras lusas, são um dos mais ardentes escritos de que se tem notícia sobre a solidão e agonia amorosa, o retrato de um romance mal-aventurado que atravessou gerações.

Adaptado e interpretado por Lisiane Berti , “Cartas de Além Mar” nos remete a uma paixão devastadora, uma entrega sem exigências a um amor desesperado cheio de solidão e ansiedade, onde as dores da ausência vão se transformando em inúmeras cartas como uma forma de aliviar a dor.  Apenas uma mulher, vivendo distâncias absurdas de si mesma...
Mariana Alcoforado nasceu em Beja, Portugal, exatamente na Província do Baixo Alentejo, movimentado centro militar no tempo das Guerras de Restauração que Portugal empreendeu contra a Espanha(1640/1668).
Era filha de Francisco Alcoforado e Leonor Alcoforado. A data e o mês de nascimento de Mariana é desconhecido, sabe-se, entretanto, que o ano é o de 1640. Na época de seu nascimento a família já tinha quatro filhos: Baltazar, Miguel, Francisco e Anna Maria. A 22 de abril de 1640 Mariana é batizada na Igreja de Santa Maria da Feira, e teve como padrinho Dom Francisco da Gama, descendente de Vasco da Gama. Ao completar 11 anos de idade, Mariana foi levada para o Real Mosteiro de Nossa Senhora
da Conceição, na sua cidade natal. Após cinco anos de vida dedicados, integralmente, aos estudos, orações e leituras, principalmente, a leitura da Bíblia, Mariana declara, mesmo sem vocação, sua fé religiosa. Dada a sua forte inclinação para a escrita, Mariana recebeu
o importante cargo de escrivã das Quarenta Horas, registrando os fatos mais importantes
do Convento. Em 1664, chegaram a Portugal as tropas francesas que foram em auxílio de Portugal contra os espanhóis. O capitão da Cavalaria chamava-se Noel Bouton de Chamilly (Conde de Saint – Léger). Integravam o exército português os irmãos de Mariana, Baltazar e Miguel Alcoforado e ainda o seu cunhado Rodrigo Rui de Melo. Mariana e Chamilly, se conheceram por intermédio dos irmãos e cunhado dela, em uma das visitas que regularmente faziam ao Convento. A partir da apresentação dos dois, surge uma paixão avassaladora, que posteriormente se transformaria em sofrimento amoroso. O dilema sentimental de Mariana é resumido nas cinco Cartas Portuguesas.
Ciúme, mágoa, ódio, desespero e decepção são sentimentos citados nominalmente nas cartas de Mariana, isto denota que a religiosa estava apaixonada, já que o amor não produz esses tipos de sentimentos. Os trechos a seguir referendam essa afirmação “(Não há alívio para as minhas mágoas e a lembrança da aventura que gozei enche-me de desespero) ,(Mas antes de te empenhares numa grande paixão lembra-te do meu sofrer desmedido),(de todos os meus desordenados impulsos),,(dos meus anseios e ciúmes), (Mas eu tenho sido constantemente perseguida por uma enorme decepção, pelo ódio e pelo desgosto, por
todas as coisas), (Tenho essa espécie de ciúme de minha paixão por você)”. 
Foi um prazer conhecer o amor e vida de Mariana Alcoforado e poder apresentá-las em "Cartas de Além Mar" que estreiou em 2013 e continua em processo de descobertas...
Não assistiu ainda?
Neste domingo às 18h no Estúdio dos Bonecos (Rua Borges de Medeiros, 75) você pode conferir esse amor profundo e toda a dor da espera de Mariana.
Partindo do meu trabalho de pesquisa pessoal “O Ator e Sua Verdade” , onde o desconforto é um parceiro do ato criativo e  a interpretação distancia-se do “representar” e aproxima-se do “apresentar” transformando a verdade emocional e física do ator em concepção cênica, decidi arriscar-me, expor-me verdadeiramente, afinal quando se busca autenticidade não se pode esperar encontrar segurança e serenidade, você luta contra algo que está fora do seu alcance, se vê envolvido naquilo que ainda não domina. O desconforto é um mestre! A sensação de desconforto é um bom sinal porque significa que você está entrando em contato com o momento de maneira plena, aberto a novos sentimentos que esse momento vai gerar. Em “Cartas de Além Mar” , eu enquanto atriz, me confundo com Mariana Alcoforado, somos mulheres, já amamos intensamente alguém que está distante,  nos entregamos de corpo e alma a uma paixão avassaladora, nos desequilibramos e escrevemos muito, desde sempre, somos solidão presas em uma garrafa lançada ao mar. O nosso mundo é um equador de escritos. 
Sergio Azevedo Fotos



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