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domingo, 18 de setembro de 2011

Dividida entre o mar e o riacho...

A imensidão do mar, a força do mar, a obscuridade do mar, a aparência calma com profundidade que só ele tem. Tantas vezes me senti assim. Pés na areia, olhos fixos nele, linha do horizonte... Molho os pés, mexo na água, piso em falso, mergulho a cabeça , sinto o cheiro, até mesmo o gosto, volto pulando ondas. Mesmo desconhecido, me sinto em casa. Desconfortável para uns, revitalizante pra mim. Não tenho medo, me sinto parte dele. Justamente após a forte tempestade é quando ele está mais pleno e bonito. O movimento das suas ondas, que tudo levam e tanto trazem...Já tive fases como o mar...de ondas calmas, ondas turbulentas, bandeira branca, bandeira vermelha, por vezes preta. Mas não tinha nenhum salva-vidas. Era só eu e ele. Nadar ou morrer no mar...entregar-se ao seu fluxo ou estagnar na areia. 
Agora estou um pouco mais riacho...
A calmaria do riacho, a serenidade do riacho, a transparência do riacho, o fluxo do riacho.
Agora sento na pedra, molho os pés e consigo enxergar outras pedrinhas...O mesmo som...
O mesmo caminho...a diferença? Pedras com limo. Vegetação próxima. Cheiros...Não quero mergulhar, quero fechar os olhos apenas e sentir... Uma pausa estratégica para o que virá...Já sei lidar com chuvas tempestivas ou com pedrinhas lisas, já sei pular ondas ou atravessar o rio apoiando os pés na pedra...sei tanto mas que serve pouco...
As dualidades...as dúvidas...os medos...as diferenças...os ciclos...as alternativas...as milhões de perguntas...as várias respostas...os confrontos...as neuras...os balanços de vida, os recomeços...as novas ideias despertando e sobrepondo-se as velhas ideias que um dia já foram novas...mas o rio em algum ponto encontra o mar...e juntos misturam-se...unem forças, agregam-se.
Agora me vejo entre o poder e a força do mar contraponto a calma e vivacidade do riacho. Um pé lá outro cá...Não sei viver sem os dois...mas sei que juntos só no fim, e eu ainda estou no meio do caminho!
No meio em todos os sentidos, em todas as relações, humores e afetos.
Que eu saiba então me redimir do meu lado maremoto e use a força dos ventos para navegar em mares turbulentos ou que apenas eu sinta que algumas coisas simplesmente precisam seguir da mesma forma para o mesmo lugar, durante muito tempo até terminar seu curso como o riacho...

Um comentário:

Gustavo R. Fragazi disse...

Nossa, gostei muito desse texto. Me indentifiquei um pouco, eu poderia dizer. Sinto o que você disse sobre a união do mar e do riacho, a união da força dos dois, mas também ainda estou no meio do caminho, mas dividido entre a força e impetuosidade do mar e a calmaria reflexiva do riacho. Possuo meus momentos de ambos, cada qual em sua ocasião, sempre tentando manter o equilíbrio, mas há vezes em que o movimento das ondas do mar cresce e então as fortes ondas tomam conta das minhas atitudes. É tudo uma questão de auto conhecimento e controle... Tenho um blog também! Se sentir interesse em dar uma olhada depois, eu ficaria feliz!
http://gustavo-dosreis.blogspot.com

Beijo!

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