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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Qualidade de Afeto

Foto Marcelo Alves

A gente passa um tempão da vida da gente, tentando ser o que não somos, fazendo o que não queremos e nos contentando com relacionamentos medíocres para encher as redes sociais de fotinhos "somos felizes, morram de inveja", fingimos orgasmos, dizemos "sim" quando na verdade o "não" quase explode na nossa garganta, comemoramos Natal e Ano Novo porque todos comemoram, o ciclo de vida mais hipócrita da face da Terra. Ah quem goste, eu não julgo ninguém se realmente, eu disse realmente, são felizes assim...
Eu sempre fui mais ousada, desde a infância! Eu era a menina que brincava e queria ser feiticeira, escrevia textos na escola e passava para os colegas analisarem (não professores) pois me importava com a plateia de verdade. Comecei cedo a fazer teatro (não para pintar o cabelo de rosa ou para extravasar minha opção sexual), porque amava a Arte mesmo! Quebrei muitos padrões, não casei na Igreja como meu pai queria e sempre escutei dele ("tu nunca vai realizar meu sonho de entrar na Igreja de braço dado contigo") casar assim, só no teatro! Não cursei administração, me separei três vezes quando o amor chegou ao fim, mesmo com filhas pequenas que estão super bem criadas e felizes, porque a mãe sempre foi verdadeira, faz o que fala, não finge... aí entra a qualidade do afeto.
O melhor de mim, guardo pra mim hoje! Meu melhor, minhas loucuras, minhas melhores ideias, minhas músicas repetidas que adoro dançar, estão todas na minha cabeça, cheia de grandes ideias...
Lembro cada um dos meus fracassos, talvez o melhor deles, uma crítica teatral escrita para um espetáculo meu em 2010 falando muito mal de mim e do meu trabalho. Na época chorei, mas lembro de ter sido elegante e escrito ao crítico agradecendo. Sempre fui humilde, nesse sentido. Continuo com o trabalho até hoje, mudei, testei, modifiquei e sempre que releio o que ele escreveu, dou risada e digo "putz, ele tinha razão em um monte de coisas".  Nós escolhemos quem nos destroe, nós escolhemos o que fazer com tudo de ruim que nos acontece. É aí que entra a qualidade do nosso afeto, que deve ser puro e transcendente com nós mesmos.
A condição humana, tão discutida por grandes autores teatrais, só aflorou mais e piorou. Se Beckett estivesse vivo hoje, morreria mesmo esperando "Godot", Shakespeare estaria em depressão, Tenessee estaria internado há tempos e por aí vai...nossa condição só piora porque a cada dia estamos preocupados em provar tanta coisa idiota aos outros e nos distanciamos de nós mesmos...
Até quando conseguimos mentir para nós mesmos? Até vir o infarto, a depressão, o suicídio? A tarja preta, o isolamento? Pecamos por arrogância, por um amontoado de medos idiotas, por desacatarnos a nossa integridade e nossa autoestima! Que vergonha de nós mesmos, eim?! Onde foi que nos perdemos? Onde foi que deixamos a rede social pontuar nossas vidas e esquecemos de simplesmente viver a vida (sou usuária das redes, estou aprendendo a usá-las somente para trabalho)...
Eu comecei há muito tempo a me despir das minhas angústias, dos meus medos, tenho coragem de dizer que amo, que quero beijar, que não gosto, que não senti nada, e não tem problema em falar a verdade quando usamos o "tom certo" sem querer agredir ninguém...
Sou mais eu, sou minha totalidade, aprendi a me tratar melhor, a ser mais querida primeiro comigo... Sou como sou, convivo comigo, me conheço melhor do que ninguém, então ninguém além de mim, sabe da minha história, dos meus tropeços, dos meus recomeços, das minhas vitórias... E todo amor que houver nessa vida, será pra mim com muita qualidade de afeto porque eu mereço, você merece, nós merecemos ser felizes, mas temos que ousar a fazer isso primeiro sozinhos!
Não tenha medo de ser quem é! Você não tem que agradar ninguém baby, não seja escravo da opinião alheia...
Eu parei com a mania de me apaixonar por quem não gosta de mim, decidi me apaixonar pela vida, pelo meu trabalho cada vez mais, pelas minhas filhas, pela minha casa, pelos meus amigos...e quem tem tanto amor para doar, não pode perder tempo esperando migalhas...


sábado, 26 de agosto de 2017

Sobre a estreia de "Cabeças Autônomas"

Sérgio Azevedo Fotos

Eu acredito na Arte que inquieta, que questiona, que possibilita uma ideia de nova realidade. Acredito na Arte que transmuta, que sensibiliza que emociona...
"Cabeças Autônomas" é tudo isso! É sem dúvida a direção mais importante da minha história de 23 anos de teatro... é um grito de guerra sobre ter coragem para tocar nas minhas feridas, das minhas atrizes e da plateia. É sobre mulheres, amor, vida e liberdade.
Fiz uma pré estreia somente com homens não ligados a teatro no dia 23 de agosto, que foi simplesmente incrível, tantas verdades sentidas, depoimentos emocionados e empatia. Muita empatia porque essa revolução e evolução de consciência, como um homem da plateia falou, é nossa, de todos nós.
Então veio a primeira apresentação da estreia. Plateia calorosa, receptiva e em prantos participando do debate. Um debate que foi uma injeção de ânimo e amor pelo que fazemos, por ter a certeza que tudo que idealizamos estava ali, sendo dito e chorado pela plateia! O sagrado, o feminino, as dores e amores do ser mulher...sem agredir os homens em momento algum.
Compartilhamos de tantas frases lindas e comentários que guardarei muito tempo na minha caixinha de memória. Pais, filhos, mães, mulheres... dialogamos! Fruímos e entramos em catarse...
Uma catarse libertadora! Uma reflexão forte sobre nosso papel em meio a esse caos diário... Nos abraçamos e choramos juntos!
Nunca, em 23 anos vi tanta gente chorando e falando coisas tão lindas sobre um trabalho. E eu não estava em festival, em outra cidade, ou no RJ e SP...eu estava em Canela, na minha cidadezinha cheia de graça, com minhas atrizes maravilhosas ouvindo que "estamos prontas para o mundo", que "Canela entrou para o cenário de qualidade de espetáculos nacional" entre outras coisas. Foi lindo, sublime de encher os olhos e a alma de amor... amor ao meu teatro.
Recebi diversos depoimentos de pessoas emocionadas que escreveram, enviaram áudios, me abraçaram... minhas atrizes em catarse, escrevendo o que sentiram e vibrando juntas no mais lindo amor, falando de transformação e cura.
Para quem não assistiu, teremos mais uma apresentação amanhã, dia 27/8 às 21h no Teatro Casa de Pedra em Canela. Vá sentir o que estamos sentindo, sem pré conceitos. Só vai de coração aberto!
Eu estou profundamente feliz e emocionada com o resultado que minha equipe de produção, elenco, apoiadores e técnicos (amigos de longa data) conseguimos! Todos os fragmentos da minha verdade e a verdade de tantas outras estão ali... nesse trabalho.
Dói mexer na ferida, mas é libertador quando nos curamos de nós mesmos! 
Cheguei em casa e chorei profundamente, quase desidratei num misto de alegria, amor e alívio... nasceu meu novo filho e o processo foi, é e será transformador.
Só sei fazer arte, e pretendo fazê-la com muita seriedade, pesquisa, ousadia e coragem sendo coerente com o que falo. Esse é o meu protesto, por liberdade e reflexão!





sábado, 22 de julho de 2017

A despedida da "etérea" Clarice Ziegelmann



O ano era 1996 e eu subia ao palco ao lado da minha então professora e diretora Clarice Ziegelmann que eu já conhecia  desde 1995. Era uma responsabilidade imensa atuar ao lado dela, eu uma "fedelha" do teatro, que mal começava a escrever e atuar há dois anos... o texto era meu, "O Etéreo", éramos mãe e filha, mortas, ligadas pelo nosso cordão umbilical, numa espécie de "limbo", acertando as contas... (sim, eu já era dramática naquela época e não sei porque cargas d´agua adorava falar de morte, meu primeiro monólogo foi "O Monólogo de Um Velório").
Ontem, 21 de julho, perto do meio dia quando recebi a notícia que me deu um soco no estômago, de um infarto fulminante justamente nela, começou a vir uma história na minha cabeça...na minha e de muitos da cidade de Canela e Rio Grande, acredito...
Para quem não conhece, ou só ouviu falar, Clarice Ziegelmann era atriz, diretora, musicista, ativista cultural (trabalhou em vários órgãos culturais em Canela e região), criadora e diretora da Cia Palco Meu em Canela, da qual eu e muitos outros atores passaram... mulher, mãe, avó, batalhadora incansável, gênio difícil às vezes, mas nunca intransigente, sempre de unhas azuis compridas (amava azul), cartomante de primeira (já fui várias vezes ver tarot com ela), adorava um café assim como eu, e não tem como falar em teatro em Canela sem falar nela, na Clarice, na vó da Valetina (que foi minha aluna esse ano), na mãe da Ingrid que eu brincava de barbie quando ia nas jantas na casa da Clarice e ela era pequena...
Clarice mexeu com a classe artística, sobretudo ontem, quando nos deixou rapidamente, sem nem sequer ter tempo de respirar. Meia noite estávamos lá, atores de todas as idades, diretores, amigos, o olhar de espanto, trocas de abraços, poucas palavras e muitas reflexões...
Como nessas horas tiramos tempo e nos encontramos? Como nessas horas deixamos picuinhas de lado e simplesmente nos apoiamos...assim devia ser sempre... mas sabemos que não é... a vida é corrida e somos produto dela, querendo ou não...
Entre choro e abraços, vinham boas lembranças, boas histórias, as últimas mensagens trocadas. Ela ia apresentar seus textos numa leitura dramatizada semana que vem e estava empolgadíssima, havíamos falado e ela disse: "te espero lá, não aceito recusas..."
Não escrevo esse texto somente porque ela "voltou para a casa", sempre mantivemos contato, e o projeto 3x4 Teatro em Canela nos reaproximou... no início do ano quando a neta fez o intensivo infantil ela, daquele "jeitão" dela, me disse: "só deixei ela fazer porque era contigo, gosto muito do teu trabalho..." Quem conheceu a Clarice sabia que ela não era mulher de recados, era clara, precisa, honesta e verdadeira, falando o que tinha de falar, doesse a quem doesse ... Já havia me visitado para conhecer Helena, sempre que podia ia assistir minhas peças, eu sempre convidava ela porque sabia que se não gostasse ou gostasse, as críticas eram honestas... Clarice não era "puxa-saca" de ninguém (isso herdei dela)...
Simplificando, decidi escrever para homenageá-la do meu jeito.  A classe teatral está de luto em Canela e sentiu muito essa perda... muito mesmo... é um pedacinho de nós que se vai, os ensinamentos que ficam... Em nome de todos os artistas canelenses que por ti passaram, seja em escolas, na Cia Palco Meu, oficinas, GRATIDÃO!!! Honraste a palavra TEATRO e soube nos colocar no caminho do amor a Arte com maestria. Aprendemos muito contigo. Te respeitamos! Te honramos! Seguiremos nossos caminhos, mas não esqueceremos que em algum momento fizeste parte das nossas vidas, da nossas histórias nesses palcos de rua, de festivais, de escolas, de eventos... 
E como em 1996, cortamos nosso "cordão umbilical" agora "profe", você passou para outro estágio rapidamente, e tenho certeza que conscientemente, pois sempre foste muito espiritualizada... Descanse! Apesar que se bem te conheço, já deve estar procurando "palcos aí em cima" para agitar algo, não és do tipo que fica parada... vais gostar do céu, ele é azul, tua cor favorita!
Quanto a tua filha e tua neta, segue tranquila, tem muita gente aqui para apoiá-las, ajudá-las, além da família, a tua família teatral, que ontem se fez presente, não vai te decepcionar...
Seguimos! Firmes e fortes, com coragem para cumprir nosso destino! 
Tuas últimas palavras pra mim esses dias foram: "Lisi, ando com muita dor na coluna e não consigo assistir tuas coisas, mas parabéns pelas tuas conquistas e tua arte concreta!!". Sabes que tem dedo nisso tudo né??? Na verdade eu, e muitos outros é que te agradecemos, por tudo... Valeu Clarice!!!





quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sobre alunos, golfinhos e o teatro...



Caminhando nas ruas desconhecidas de Lima no Peru em 2010, entrei em um sebo e queria muito comprar livros de autores peruanos, me deparo com "El Delfín - la Historia de un soñador"  de Sergio Bambarén, que conta a história de um golfinho, Daniel. Um golfinho que tinha muito amor pelo mar e acabava esquecendo sua rotina de pescador imposta por seus companheiros. Sozinho, escutava apenas uma misteriosa voz que o fazia seguir seus ideais na busca do que o levaria ao outro lado do mar, enfrentando as ondas perigosas e o desconhecido. 
A história do golfinho revela que todo ser que busca seu próprio caminho e bem espiritual, tem um caminho a percorrer sozinho, deixando o medo e esquecendo das críticas daqueles que não acreditam mais em sonhos... Eu sonhei muito, sonho todos os dias, enfrentei muita crítica, deixei pessoas e amigos que hoje nem são tão amigo assim, para seguir meu sonho, um lugar onde o teatro pudesse ser uma ferramenta de construção num ser humano melhor.
Na noite do dia 2 de julho, fizemos a primeira mostra do Estúdio de Pesquisa, onde quase 50 alunos entre 5 e 60 anos em apenas quatro meses de aulas, mostraram sua Arte, mostraram como a Arte os encontrou, e segundos antes de abrir as portas para a plateia que lotou o teatro Casa de Pedra em Canela, não pude deixar de mencionar a história do golfinho, extremamente emocionada, olhei aquelas pessoas todas de mãos dadas, e comentei que muitas vezes quando pensei em "abandonar o barco", haviam eles, meus "golfinhos sonhadores" que me lembravam que não podia desistir, que havia muito mar para navegar...
E seguimos sonhando, assim como Daniel, que muitas vezes pensou em desistir cansado de atravessar o mar sozinho, acabava por recordar quem era e o sonho que tinha...
Os alunos brilharam na noite de domingo, iniciantes, outros mais experientes, clowns, crianças, trabalhos solo, Nelson Rodrigues... foram duas horas e meia de teatro (sim, 2h30min). Cansativo para uns e um deleite para amantes de teatro. Temos muitos ajustes, muito trabalho pela frente, mas a certeza de que estamos no caminho certo! 
Generosidade, energia, cumplicidade, amor ao que se faz! Foi lindo de ver! Agradecimentos especiais aos professores do estúdio: Ligia Fagundes, Rodrigo Bach, Sérgio Azevedo, Emiliano Marzano, Guga Freitas, Marcelo Wasem. Ao apoio do Giovane Nunes (meu queridinho impecável), ao Dudu e Polenta da àrea eventos (sempre presentes nas horas doidas), aos amigos do estúdio.
Encerro meu texto com a parte final do livro do golfinho quando ele segue escutando sua consciência que lhe diz:

"Chega um momento na vida que não há mais o que fazer, a não ser seguir seu próprio caminho..."

Estou seguindo o meu através do Estúdio, meu propósito de vida! Me encontrei!

Sergio Azevedo Fotos

domingo, 26 de março de 2017

As feridas que o teatro cura...

Sérgio Azevedo Fotos
Este fim de semana me reuni com as pessoas que fizeram o intensivo de verão em janeiro " O Ator e Sua Verdade", eram 17 pessoas, faltaram 7 e isso me incomodou um pouco no início, porque acho que precisamos ser comprometidos com nossa arte sim ou sim, e não só da boca para a fora, mas enfim, a proposta era nos reunirmos, após o grupo ser dividido e cada um ler uma obra de Peter Brook ("A Porta Aberta" e "Espaço Vazio"), a ideia era um seminário de discussões, depois vídeos e a prática dos exercícios. 
Voltamos a nos encontrar no mágico Solar Azul do Galo Cantante, da artista plástica Kira Luá, e em pouco tempo muito se viu, sentiu e se debateu. O teatro é uma dessas ferramentas de auto conhecimento completamente desacreditada, falo isso porque, a princípio ninguém leva muito a sério... as pessoas o costumam procurar para passatempo, para "perder a vergonha", para desestressar ou simplesmente " ocupar seu tempo vazio." Falo da minha realidade Serra Gaúcha, claro, e sempre há excessões. Mas são bem pouco que são coerentes com o que dizem... todos "amam" o teatro, mas o trocam por alguma festa, ou janta de amigos num piscar de olhos e se facilitar, te deixam na mão por bobagens... Mas não vou entrar nessa questão, porque tenho aprendido duramente que cada um dá o que tem, então não posso cobrar de quem não tem maturidade ainda, para me dar comprometimento. 
Voltamos ao encontro! Nesse encontro, rápido mas preciso pude novamente constatar o quanto o teatro cura (e não acho que ele seja terapêutico), ele cura porque trabalha emoção e é Arte! Mas para curar é preciso querer ser curado e mergulhar fundo nessa emoção, nas suas impossibilidades, nos seus medos, nas suas dúvidas, e isso dói. Partimos de Peter Brook mas improvisamos não Shakespeare em nosso "tapete", improvisamos sobre nós mesmos e toda nossa gama de problemas...
Mergulhamos e voltamos (porque mais importante que mergulhar é saber voltar e colocar a cabeça fora do mar de emoções internas). Rimos, choramos, estudamos, discutimos, debatemos e constatamos tanta coisa... foi intenso!
Cenas fortes, monólogos, personagens, criador e criatura...músicos, atores, cantores, amantes do teatro... Foi quem realmente "precisava" ir. 


Intensivo 2017

"Há espaço para a discussão, para a pesquisa, para o estudo da história e de documentos, assim como há espaço para berrar, uivar e rolar pelo chão. Há, também, espaço para o relaxamento, para a informalidade, para a camaradagem, mas também há o tempo do silêncio e da disciplina e da concentração intensa." Peter Brook 

E a pergunta que sempre faço: porque você faz teatro? O que te moveu até aqui? (em uma palavra)

Facilitadora: Lisiane Berti

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sobre "afastamentos" que se tornam agradecimentos

Tem gente que entra e sai da nossa vida em um piscar de olhos...amigos de infância que ficam e se vão, colegas de aula, vizinhos, primos, colegas de trabalho, namorados, amigos, amigos só de festa, até gente da família. E vejam só, não estou falando de morte. Nem de separação de casais...estou falando de afastamentos... 
Eles ocorrem durante toda a nossa vida, às vezes sofremos muito por não entendê-los, relutamos, tentamos buscar explicações do porquê isso ocorreu...
Durante muito tempo da minha vida eu sofri por "afastamentos", eu não entendia porque "do nada" algumas pessoas simplesmente sumiam, não me cumprimentavam, paravam de me ligar, perdíamos contato. Caminhando pela rua via "fulano de tal" que já tinha sido meu "melhor amigo" e que mal de dera oi, como total estranho. Outras vezes um "ex", que educadamente (se não tivesse com a atual, porque elas sempre tem ciúmes) dava um "oi" afônico e eu me perguntava "Credo, já beijei essa boca e ele me dá esse oi murcho, como assim?"
Um amigo querido sempre me diz que temos que virar a página e aceitar que dói menos. Essa semana entendi mais esses "afastamentos necessários". Me reuni com minhas colegas do Ensino Médio, minha turma de 20 anos atrás, a turma de festas e saideiras de muita história que guardei nas minhas agendas/diários... De repente estávamos ali, sentadas, rindo muito e é como se nunca tivéssemos nos separado. Então, nos afastamos fisicamente, mas o laço criado permaneceu... Podemos dizer que não houve afastamento real.
O que não admito, o que me irrita e me falta evolução suficiente para entender (que meus guias espirituais me perdoem) é como que alguém, amigo, parceiro, companheiro, que te conhece, que partilhou das tuas dores e amores, que te ouviu que te confessou a alma, de um dia para o outro começa a sumir do mapa, te deleta como se você fosse uma "goiaba bichada". Aí você fica naquela dúvida, falo ou não falo, procuro ou não? (eu sempre falo e procuro porque gosto do olho no olho)mas não insisto muito não. Muito sábios os que dizem que teu pior inimigo é teu ex amigo, porque conhece teus "detalhes mais sórdidos".
Hoje, com 40 anos na cara e muitos tapas, aprendi que os afastamentos são necessários, é a velha seleção natural. Quem tem que chegar chega, quem tem que sair SAI!. Simples assim e está tudo certo, meu povo! As galinhas mais fracas do galinheiro morrem porque não conseguem chegar perto da água...
Segundo Darwin, "por exemplo, em um ambiente específico, apenas as espécies que possuem as condições ideais de sobrevivência conseguirão se reproduzir e transmitir para os seus descendentes as mesmas características genéticas e fenotípicas que garantam a perpetuação da espécie naquela região. No entanto, as espécies que não possuem os fenótipos adequados para sobreviver neste ambiente, não conseguirão se reproduzir e morrerão, sendo lentamente extintas."
Não entendeu? Vou explicar: a seleção natural está presente sobre todas as populações de seres vivos, seja em ambientes estáveis ou constantes, atuando como um “estabilizador”, eliminando as espécies mais “fracas” e garantindo a sobrevivência dos organismos mais fortes e aptos em sobreviver.
Os fortes sobrevivem queridinhos, e ouso dizer que não basta ser forte, é preciso ser inteligente!!! Quase estratégico! Então como estamos nessa cadeia evolutiva, vai estar com você quem é como você! Por mais que você tente ser generoso e levar no colo os "fraquinhos" eles em algum momento começam a pesar, e você para poder continuar a sua caminhada, vai ter (querendo ou não, sofrendo ou não) de deixá-los! Cada ser tem seu caminho, sua evolução, sua função! A vida te dá o que você PRECISA e não o que você quer...então presta atenção no que anda pedindo e no que anda fazendo, para depois não reclamar...
Alguém virou a cara para você? Alguém que era muito conhecido hoje é estranho? Alguém que frequentava tua casa e da tua família "sumiu do mapa"? Aquele parceiro de festa não quer mais fazer a TUA festa? Afastamento necessário meu bem! Relaxa, agradece e segue! A vida só nos ensina, o problema é quem nem sempre conseguimos enxergar além da tela do nosso celular. Agradece e sorri! Você é forte! Você é grande! Mas não seja pretensioso!
Apenas cuide melhor de você e não se preocupe tanto com o afastamento alheio... o que é seu de verdade não se afasta, só aparece quando é necessário!  É como coisas importantes que perdemos dentro de casa... na hora certa, geralmente quando desistimos de procurar, BUM! Aparece e a gente diz: "olha o que eu achei?" ou "olha onde estava..." e para nossa surpresa, bem debaixo do nosso nariz... e simplesmente não vimos...
Dizem que o amor é assim!!! (momento deboche) Podia ser né! Imagina encontrar alguém próximo e se dar conta que era tudo que você queria e estava ali, bem pertinho...
"Afastar-se é deixar-se evoluir"...tudo tem seu prazo de validade meus queridos, e não podemos lutar contra isso, a não ser que você curta "carniça". Há quem nasça para urubu e pense que é cisne....(momento deboche dois).






terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sobre a coragem de seguir o sonho!!


Quem em sã consciência, abriria um Estúdio de Pesquisa Teatral no atual momento conturbado que o país passa, onde ninguém sabe o dia de amanhã, investindo em pessoas e teatro, e sem praticamente muito dinheiro no bolso? "Euzinha aqui, pessoal!". A louca, a diferentona, "aquela do teatro"...sim, sim, sim...muitos adjetivos para uma única aposta: seguir meu sonho!!
Mas que sonho é esse que não podia esperar mais um pouco? Amigos, ele espera já fazem uns 10 anos, estava engavetado nos meus planos secretos, houve momentos que quase desisti dele, ou deixei ele de lado em função de outras prioridades. Mas quando você tem um propósito, quando você escuta seu coração e o alinha com sua alma, aí minha gente, a responsabilidade é diferente!
Faz um tempo escolhi não fazer teatro por fazer, ou para agradar, ou para ganhar dinheiro (cá para nós, nessa profissão não se ganha "rios de dinheiro", pelo menos não todo o tempo), sentia através das minhas aulas que precisava utilizar o teatro como uma ferramento de acesso para trabalhar "AS" pessoas e não apenas "COM" pessoas... Que tipo se ser humano queremos e podemos ser de verdade?
Onde exorcizar medos, angústias, trabalhar emoções  sem ser no divã do analista e psiquiatra? Obviamente que no palco, transmutando tudo isso em criatividade!
Primeiro é preciso dizer que no Estúdio de Pesquisa Teatral não temos como objetivo único formar artistas, mas antes, desenvolver pesquisas em Arte. O que queremos é nos envolver em processos de criação capazes de nos desafiar e alterar nossas possibilidades no mundo, “formando pessoas melhores” fortalecendo nossa identidade e resgatando nossa autoestima.
Cada ano, cada professor/pesquisador terá a liberdade de iniciar, continuar ou encerrar sua pesquisa na sua área de atuação, com o público alvo que lhe convém, dentro de um embasamento teórico, que será publicado na revista do estúdio anual, afinal toda pesquisa precisa chegar a um resultado (seja positivo ou negativo) pois a criação artística é a construção de um discurso que se constitui de ideias, materiais, linguagens e argumentos poéticos e a necessidade de expressá-las de algum modo. Cabe a quem cria descobrir, mesmo em meio a uma cidade caótica ou pequena, como Canela, uma potência que deflagre um processo de criação.
Queremos seres criadores e não apenas, consumidores.  Enfim, um espaço de diálogo, encontro e transformação!!

E como diria Beckett ...

“Você não pode se esconder; seu crescimento como artista não está separado de seu crescimento como ser humano: é tudo visível.”

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