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domingo, 1 de setembro de 2013

Meu livro...meu recomeço...


E ele chegou! Tímido, sem fazer muito alvoroço, ainda sem lançamento oficial previsto para outubro, mas chegou!
A sensação de pegá-lo, toca-lo, e ver todas as minhas peças é única! Eis o que escrevi na introdução:

Desde sempre eu aprendi a lidar com a dor de duas formas: escrevendo ou atuando! Assim eu a sinto de verdade, procuro entende-la, até que ela possa seguir o seu caminho e eu o meu. A dor não é para sempre, a tristeza não é para sempre, o amor não é para sempre! Nada é para sempre!
Desde que me conheço por gente escrevia, depois comecei a atuar no que escrevia, depois chamando pessoas para ler e atuar o que escrevia e assim sucessivamente. Sabe o tipo de pessoa que tem caderninho ao lado da cama para anotar os sonhos, que sai com amigos pega guardanapo e rabisca, que ouve uma frase e diz  “essa frase vai virar peça de teatro”, essa sou eu!
Escrever é orgânico, é simples, é uma companhia agradável numa tarde chuvosa e uma boa xícara de café. Não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Demorei para entender isso, é verdade, mas nunca abandonei de fato o ato em si de escrever. Nos últimos anos tenho aprendido a não confiar cegamente nos métodos que sempre deram certo, um dia eles realmente podem não dar. Não deram! Ter planos de contingência, preparar alternativas para situações imprevistas...só escrevendo!
Gosto de estudar, gosto de olhar, gosto de conhecer pessoas, escrever sobre elas, sobre mim, sobre o mundo, sobre situações que já vi, ouvi ou vivi e transformá-las em peça de teatro. Assim transmuto!
Uma vez na quinta série, uma professora de português (nesta época eu já escrevia muito) disse-me após ler minha redação que eu tinha ideias embaralhadas. Na hora isso me deixou profundamente triste porque não concordava, depois percebi que era preciso estudar, saber escrever, escrever para teatro também requer estudo e disciplina. Anos depois a reencontrei na saída de uma das minhas peças e ela me abraçou dizendo : “Que bom que não paraste de escrever”.  Não parei mesmo!
“Dona Gorda e outras peças” , não são apenas textos teatrais, são fases, fases minhas, de amigos, de amores, de vivências, de situações. Momentos que entendi, apreciei e compartilhei em forma dramatúrgica. Sonhos que tive e anotei. Imagens que vieram e desenhei. Eis meu processo de criação. Simples e Intenso! Cada peça que escrevo tem um pouco de mim e um pouco do mundo, outras nada de mim e do mundo, como se eu pudesse me posicionar através da escrita e ser quem eu quiser. O desconforto me gerou isso. Todos os momentos mais dramáticos da minha vida foram de onde surgiram as comédias, nos momentos mais felizes, os dramas. Em momentos de rotina a doçura e sutileza de conviver e escrever textos infantis. Talvez era uma forma de fuga e refúgio. Escrever para evitar o desconforto da vida real, ao mesmo tempo que escrever é um ato que nos faz sentir-se verdadeiramente exposto aos outros. E eu sempre me exponho quando escrevo!
Não vejo melhor maneira para evitar o desconforto tratando do material que se tem à mão como uma entidade conhecida e não desconhecida. Como atriz, diretora e dramaturga, posso optar por abordar uma peça como se ela fosse pequena tela controlável ou uma tela imensa, cheia de potencial armazenado. Caso decida ter uma postura de superioridade em relação ao material, ele vai se conformar, permanecer seguro e não ameaçador. Se eu adotar a postura de que a peça é uma aventura maior do que qualquer coisa que se possa imaginar, uma entidade que vai me desafiar a encontrar um caminho instintivo através dele, possibilitarei escrevendo atuando ou dirigindo que o projeto revele sua própria magnitude. Eis minha verdade! Minhas peças, minhas caminhadas, choros sentidos e risos. Lembranças boas. Gostei de entregar as palavras ao palco. Usem-as!

Muito feliz com este momento da minha vida, com minhas escolhas, por seguir meus sonhos, por ser eu, exatamente como sou... 

Em breve informações sobre lançamento e sessão de autógrafos!

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