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domingo, 26 de março de 2017

As feridas que o teatro cura...

Sérgio Azevedo Fotos
Este fim de semana me reuni com as pessoas que fizeram o intensivo de verão em janeiro " O Ator e Sua Verdade", eram 17 pessoas, faltaram 7 e isso me incomodou um pouco no início, porque acho que precisamos ser comprometidos com nossa arte sim ou sim, e não só da boca para a fora, mas enfim, a proposta era nos reunirmos, após o grupo ser dividido e cada um ler uma obra de Peter Brook ("A Porta Aberta" e "Espaço Vazio"), a ideia era um seminário de discussões, depois vídeos e a prática dos exercícios. 
Voltamos a nos encontrar no mágico Solar Azul do Galo Cantante, da artista plástica Kira Luá, e em pouco tempo muito se viu, sentiu e se debateu. O teatro é uma dessas ferramentas de auto conhecimento completamente desacreditada, falo isso porque, a princípio ninguém leva muito a sério... as pessoas o costumam procurar para passatempo, para "perder a vergonha", para desestressar ou simplesmente " ocupar seu tempo vazio." Falo da minha realidade Serra Gaúcha, claro, e sempre há excessões. Mas são bem pouco que são coerentes com o que dizem... todos "amam" o teatro, mas o trocam por alguma festa, ou janta de amigos num piscar de olhos e se facilitar, te deixam na mão por bobagens... Mas não vou entrar nessa questão, porque tenho aprendido duramente que cada um dá o que tem, então não posso cobrar de quem não tem maturidade ainda, para me dar comprometimento. 
Voltamos ao encontro! Nesse encontro, rápido mas preciso pude novamente constatar o quanto o teatro cura (e não acho que ele seja terapêutico), ele cura porque trabalha emoção e é Arte! Mas para curar é preciso querer ser curado e mergulhar fundo nessa emoção, nas suas impossibilidades, nos seus medos, nas suas dúvidas, e isso dói. Partimos de Peter Brook mas improvisamos não Shakespeare em nosso "tapete", improvisamos sobre nós mesmos e toda nossa gama de problemas...
Mergulhamos e voltamos (porque mais importante que mergulhar é saber voltar e colocar a cabeça fora do mar de emoções internas). Rimos, choramos, estudamos, discutimos, debatemos e constatamos tanta coisa... foi intenso!
Cenas fortes, monólogos, personagens, criador e criatura...músicos, atores, cantores, amantes do teatro... Foi quem realmente "precisava" ir. 


Intensivo 2017

"Há espaço para a discussão, para a pesquisa, para o estudo da história e de documentos, assim como há espaço para berrar, uivar e rolar pelo chão. Há, também, espaço para o relaxamento, para a informalidade, para a camaradagem, mas também há o tempo do silêncio e da disciplina e da concentração intensa." Peter Brook 

E a pergunta que sempre faço: porque você faz teatro? O que te moveu até aqui? (em uma palavra)

Facilitadora: Lisiane Berti

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