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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Essa tal intimidade...



Você passa muito tempo querendo alguém que te conheça na sua “intimidade”, e claro, que respeite seu espaço. Então, finalmente você conhece alguém, se apaixona, faz promessas, quase juras de amor, em qualquer instante do dia, é só nela que você pensa. O tempo todo.

Então você se entrega! Entrega seu corpo, seu coração, sua alma, se entrega como há muito tempo não fazia, só fingia! E o amor vai bem obrigado. Agora não se dividem apenas juras, mas realidades, contas, espaços da casa, espaços na vida um do outro. Moram juntos. Unem escovas, dividem gavetas, cada um tem seu espaço na cama. Cada um tem um espaço maior na casa e na vida do outro. Junto com esse espaço, vem também tudo aquilo que você mais ama no outro e claro, aquilo que você nem sabia que detestava.Pasmem, a tal “intimidade”.

Ser íntimo de alguém é ouvir reclamações sobre você: o quanto você ocupa espaço e é desorganizada, o quanto você deve cuidar quando ir no banheiro para não deixar nenhum cabelo na pia, pois isso irrita seu parceiro. Cuidar, limpar, organizar, fazer, ouvir...os verbos de ação começam a fazer parte do seu vocabulário. No outro você também tem que dividir as músicas que ele ouve e claro, nem sempre são as que você mais gosta, dividir  programas de televisão, adaptar-se assim como um camaleão a este novo meio, que passou a ser a casa de vocês. Difícil? Muito! Todo dia é um exercício de paciência, de compartilhamento de adaptação. Agora, não existe mais aquele cuidado inicial, quando você cuidava o que falava porque mal conhecia o outro e temia que ele também conhecesse o seu monstro interno, que estava pronto para ser acordado.

Passam-se os dias. Sua calma é testada e você se pergunta: “ Até que ponto vale tudo isso?”, será que você quer mesmo partilhar da sua “intimidade” e conhecer a do outro? Muitas perguntas, algumas ainda sem resposta. Juntar “escovas” é um ato de coragem, sobretudo de amor. Nos tempos modernos em que amor virou “piegas” e sexo é vendido barato, até dentro da sua casa numa sucessão de inversão de valores, quando você toma coragem e assume viver a sua vida ao lado da outra pessoa, é sim, um grande ato de amor e coragem.

Íntimos. Sempre! Você divide a parte chata e até se estressa com ela, mas é bom ter ao lado alguém que te conhece tanto, que você não precisa falar, basta olhar ou respirar. Se colocasse na balança, as qualidades do outro,  são muito maiores que seus defeitos e você só tem que se policiar e pensar no que é bom, deixando o “não tão bom” para momentos “íntimos” e que se fala sobre isso numa boa, tentando melhorar a convivência diária. Conviver! Não fomos feitos para viver sozinhos, mas passamos a vida tentando provar aos outros que sim, somos eremitas das nossas emoções.

A intimidade é uma ponte entre você e seu amor, você e seus filhos, você e seus amigos. Depende unicamente daquilo que você quer ou não compartilhar, mas para dar é preciso receber, ouvir e também entender a intimidade do outro. Se não é fácil para você, também não deve ser nada fácil para seu parceiro. Pense nisso! Ah, e preocupe-se mesmo quando não houver nenhuma reclamação sobre essa tal intimidade, aí sim, as coisas fugiram do controle. Enquanto houver intimidade de verdade haverá sempre reclamações, faz parte e pode ser bem divertido se você souber tirar proveito da situação e dar boas risadas. (Lisi Berti – 03/02/12 - POA)





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Neste final de semana. Imperdível!!!

 Ela está de volta! Sábado e Domingo às 21h na Sala Álvaro Moreyra em POA.
Ingressos antecipados: DC Shopping e Praia de Belas


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"A Encalhada" no Porto Verão 2012

Convido a todos para prestigiarem "A Encalhada" no Porto Verão Alegre 2012. 
Maria do Amparo estará tentando "desencalhar" desesperadamente nos dias 04 e 05 de fevereiro às 21h na Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307 - Menino Deus).

                                                                 Créditos: David Keller

A comédia conta a história de Maria do Amparo, uma professora solitária que sonha em encontrar o amor. Em busca da "tampa da panela", da "metade da laranja", ouvindo frases clichê como "O que é teu está guardado" e "O importante é que você tem saúde!", ela não desiste de encontra o homem ideal, se é que ele existe.

Texto e Interpretação: Lisiane Berti
Direção: Julio Zaicoski
Trilha Sonora: Allex Bessa
Iluminação: Lennon Ortiz
Programação Visual: Charle Oliveira
Produção: Matheus Kohler
Assessoria de Imprensa: Due Company

Mais informações:
www.portoveraoalegre.com.br


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Encerramento "O Ator e sua Verdade"

Acontece amanhã dia 13 de janeiro às 18h no Teatro Casa de Pedra o encerramento da minha oficina "O Ator e a sua Verdade". No elenco:
Matheus Kohler
Sabrina Tesoto
Paula Lovatto
Tiago Severo
Charle Oliveira
Renata Barros de Brito
Ione Lefa
Paulo Lefa
Elisabete Vogel
João Pedro Lippert
Todas as feridas foram abertas, sangramentos expostos, agora é hora de algumas verdades serem reveladas. Depois de uma semana de exercícios intensos, provocações para transformar sua verdade em ação cênica, numa perspectiva de unidade e vida, é chegada a hora de compartilhar algumas verdades com a plateia.
Abaixo um trecho de "Colóquio dentro de um Ser" de Paul Valery (1996) que exprime o que tinha como objetivo com esta oficina:
" (...) Chora, mas vive! Desembaraça-me dessa miserável mistura de sensações equivalentes, de lembranças sem serventia, de sonhos sem lastro, (...) Chama à ordem, reúne todas essas pequenas forças não-orientadas que se dispersam em tua fadiga. (...) Organiza as diversas partes do tempo complexo, que te permitem fazer aquilo que não é agir sobre o que é, e o que sobre o que não é ...Comanda bem tuas pernas e braços, e sente teu poder até as extremidades de teu império sobre esses membros. Apropria-te de teu olhar, e faze o espaço. Assegura-te também da tua potência interior. Exige, exerce, excita a liberdade geral dos termos e das formas de linguagem; desperta os mecanismos de combinação, de transposição de articulação das ideias e disposição de conceitos..."
O existir comporta um movimento redundante, temos que fabricar a nós mesmo todos os dias, e nada melhor que sermos alicerçados pela nossa verdade...

Convido a todos para prestigiarem esse momento especial de verdade, pesquisa, teatro e emoção. Entrada franca!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2012 e daí?

E então chegou o tão esperado 2012! Não escrevi antes porque estava ainda sob influência de 2011 que demorou para partir e me deixou zonza. O ano começou extremamente chuvoso aqui no Sul. Escrevi no face que a "nhaca" de 2011 foi tanta que 2012 chegou tendo que "limpar" a bagunça deixada com muito água. Pela primeira vez começo um ano sem expectativa, sem grandes alterações, definitivamente não é só o ano que muda, sou eu que tenho que mudar! Escrevi também nos últimos dias de 2011:

"Algumas pessoas me perderam, outras nem souberam da minha existência, algumas conviveram um pouco comigo, outras logo partiram. O importante é que mesmo só, eu não me perdi, não apostei em valores que não eram meus, não desejei mal, não fui do mal, só fui. Não fiquei! Decidi, escolhi, sofri! Lutei, perdi, ganhei! O importante de tudo isso? Nunca deixei de ser eu, com toda minha gama de acertos abusados e erros deliciosos. Apenas vivi e não tenho um pingo de medo de você, senhor 2012. Pode vir com sua empáfia, pois depois de 2011, realmente nada mais me surpreeende, nem mesmo o senhor!"

E seguimos...meio desnorteados, com aquele frio na barriga de como será mais este ano. 2012 vem com cheiro de recomeço, resignação, perseverança, padrões quebrados, valores invertidos, medos rondando. Começamos a nos despir dos nossos rancores, começamos a valorizar o que nunca "demos bola", começamos a perceber coisas que nunca sequer ousamos sonhar. Vida louca, loucos vivos, louca vida! 2012 vem com aquela sensação de "Justiça seja feita", de "este vai ser o meu ano". E não, não é demagogia, ou leitura de revistas do zodíaco, eu sinto isso. Não fiz ritual nenhum de fim de ano, não apostei em cores, maquiagens, não pulei ondas (até porque choveu torrencialmente), não tinha uma roupa linda para usar (pois não havia levado nada para frio), o máximo que fiz  foi desejar feliz ano novo a alguns. De todas as minhas viradas, foi a mais tranquila, a mais simples e ao mesmo tempo a mais improvável. Fui para onde não estava planejado, passei com pessoas improváveis e me diverti. 2012 será assim: IMPROVÁVEL! Tudo o que eu achar que não posso, estarei errada, porque POSSO! 2012 vem dar na minha cara e dizer: "Acorda mulher! Acorda enquanto é tempo!". Acordar pra tanta coisa mas com uma imensa vontade de largar tudo e só dormir. 2012! Não tenho medo do desconhecido nem do "karma místico" que este ano traz com toda sua gama de profecia. É só mais um ano, mas pra mim será "o ano". Assim como foi 1994, 1999, 2003...anos especiais pra mim...

Pedi muito uma vida tranquila, um amor tranquilo! Ganhei! Agora preciso aprender a administrar isso. Pedi verdades e elas foram reveladas. Pedi amigos e perdi quase todos pois não eram tão amigos assim, pedi teatro, recebi na hora certa, pedi trabalho ganhei quando mais precisava, pedi mudança, me mudei literalmente. Pedi e ganhei! Agora devo ter mais cuidado com o que pedir, para não me perder em anseios impulsivos. Este vai ser o ano da minha verdade. Do que quero, do que posso, do que vou verdadeiramente lutar. Passei muito tempo preocupada com os outros, dei muito para os outros, e não me sobrou quase nada! Quase nada de mim! Vou agora juntar alguns caquinho e seguir  meu caminho apostando no que acho correto, íntegro e ético. Sou assim!


Sou dona do meu caminho! Sou dona da minha verdade! Sou arquiteta do meu destino! E ninguém vai me impedir de realizar meus sonhos!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Natal é um estado, não um evento!

25 de dezembro de 2011. Pelos rumores e calendário maia ano que vem o mundo terá acabado...(piadinha!) Aproveito e escrevo este ano, então! Na fé cristã, hoje seria o nascimento do menino, do Salvador, de Jesus! Não sou muito cristã, mas tenho fé! Nesta época do ano somos atrolhados de amigos secreto, festas, comilanças, reuniões e jantares com família. Por vezes até gostamos, outras tantas cumprimos obrigações. Nossas cidades possuem decorações que deixam os turistas enlouquecidos, espetáculos natalinos, trânsito caótico...e por aí vai.
Me pergunto: Natal é um estado ou um evento? Quando falo que não gosto de Natal, as pessoas me olham atravessadas, como se eu estivesse profanando este "espírito natalino". Nem quando criança gostava, morria de medo do Papai Noel e na maioria das vezes nunca ganhei nada do que pedi. Minha família nunca foi tradicional, existia uma tentativa de "unir" a família no Natal, mas sempre lembro de passar essa data com vizinhos, amigos ou simplesmente não comemorar. Natal sempre teve um tom melancólico, eu nunca entendi bem porque...Agora começo a entender...
Não gosto de Natal não pelo que realmente representa, mas como ele tem sido na mídia, na vida real...consumo, reuniões, presentes trocados, abraços dados, quase ritualísticos. Gosto do simples, gosto da quebra do ritual. Acho hipócrita reunir família quando esta, briga o ano todo (aqui falo da minha unicamente). Qual o sentido de trocar presente e abraçar pessoas que não querem isso. É preciso existir uma vontade, um querer de coração e não sinto isso...
Trabalhar no Natal sempre pareceu uma boa saída para mim, até ter uma filha que adora Natal, árvore, enfeites,e todo o hohoho que vocês já sabem. Procurei não quebrar o ritual dela, mas não mudei o meu modo de pensar. Me diverti mais apenas, confesso...
Natal não é um evento, uma data, um ritual, um "reunir", um "presentear", uma "comilança absurda", Natal na verdade é uma data inventada por nós, seres humanos que passou a ser celebrada no mundo, com diferentes tradições. Palavra chave: "tradição"
Me desculpem os cristãos, os tradicionais, os natalinos convictos, os "família unida", os doentes por ceias exuberantes, os malucos por árvores e enfeites, Natal pra mim é um estado de espírito que deveria durar todos os dias...porque presentear só no fim do ano? Por que reunir a família para ceia só no fim do ano? Por que fazer amigo secreto só no fim do ano? Por que enfeitar a casa  e tantas outras coisas só no fim do ano...e pior, por que só refletir e pensar na vida só nesta época?
Tenho sido forçada a fazer isso em todo 2011, então posso dizer que pra mim, pela reflexão, Natal foi todos os dias...me reuni com muitos, recebi sim muitos abraços, nem todos eram verdadeiros, mas recebi. Me afastei de pessoas que nunca pensei ser possível, fui afastada também por outras que diziam me amar, amei, fui amada, na mesma proporção que excluí e fui excluída...Vida real meus caros!
Se eu tinha medo do Papai Noel na infância agora tenho medo da vida real, mas não fujo dela como fazia com o Noel e chorava, encaro, mesmo com dor, com medo, frustrada, desacreditada, eu vou!
Peito aberto! Peito cheio de cicatrizes das batalhas travadas em guerras pessoais, seguindo!
Nessa época em que todos tem frases feitas para postar, frases célebres para falar, religiões para celebrar, amigos "de fé" para se apoiar...eu vou indo! Não me apoio em nada. Pés no chão, mãos livres, olhos mesmo marejados, mas firmes!
Não me entrego ao acaso, não desisto por pouca coisa, não julgo sem ter certeza e quando o faço se possível, revejo e me desculpo. Sou eu, mais velha, mais lúcida, menos "tradicional". 
Que possamos viver cada Natal não como um evento consumista, mas como um estado de espera e de busca, de palavras silenciosas, de procura acabada...que possamos brindar a vida, com a saúde que nos foi dada, com o talento que cada um tem e sabe que tem, com a fé...independente de qual for...
Isso pra mim é o "estado" de Natal...um estado constante de alerta sobre nós mesmos!!!
Então, feliz natal a todos nós, seres em alerta constantes...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A verdade, sempre a verdade


O que é real de fato? A verdade! Em qualquer época da história homens guerrilharam por falta dela e outros mentiram por ela. Mas não temos histórico daqueles que nessas lutas, deram sua própria vida por ela. São pouco, raros. Sabemos de muitos heróis que "empunharam bandeiras" em nome de outros, mas não pela sua verdade. Pela sua própria verdade.
Verdade é agir com justeza, exatidão, ter boa fé. Convenhamos que não é algo que ache fácil nas pessoas hoje em dia, se tem ou não. Talvez até se adquira com o passar dos anos, mas não sejamos tolos, ninguém consegue ser verdadeiro sempre. 
Às vezes escondemos a verdade de nossos filhos, achando que assim estamos protegendo-os, outras vezes escondemos a verdade de nossos amantes, com o medo de perdê-los para sempre se souberem realmente "tudo". Em outros momentos escondemos a verdade aos nossos empregadores em nossos trabalhos, engolimos nossas vontades para satisfazer o outro. Agora, quando escondemos a verdade de nós mesmos, aí sim, perdemos o senso da realidade e nos entregamos a frágil ideia de que "não, não pode ser..."
Sejamos honestos! Amigos vem e vão, amores vem e vão, empregos vem e vão, nós sempre ficamos. Nós e nossos princípios, nós e nossas verdades.
Se não fosse assim, não entraríamos neste mundo e sairíamos sozinho. Deve haver algum ensinamento para isso. Quando sofremos ou somos colocados à prova nos damos conta das nossas verdades. Será que temos que sempre passar pelo "pior" para enxergar isso? 
Quantas pessoas assumem a "verdade" dos outros hoje em dia? Quantas pessoas proferem frases feitas e discursos elaborados de pessoas que elas nem conhecem ou mal estudaram? Quantas pessoas mentem, roubam, excluem, deixam de lado, falsificam, por uma verdade que nunca foi deles.
Autenticidade meus caros, é uma característica que está quase em extinção nos dias de hoje. Tenho presenciado pessoas que passam a agir de "tal forma" em função de outras, que tem na cabeceira a filosofia do fulano que acreditou no ciclano e tudo não passa de uma grande faz-de-conta poético verborrágico.
O que é verdade realmente? O que nós sentimos, o que faz nossas pernas tremerem, o que acelera nosso coração quando pensamos, o que nos deixa aliviados e tranquilos quando agimos com ela, a verdade.
Dizem que ela mais cedo ou mais tarde "aparece"! Acho isso quase errôneo, algo não pode aparecer do nada, pela lógica, nunca deixou de existir, de atuar...
Como vivemos num mundo podre,  quando digo podre, é podre de valores, de arrogâncias jogadas no espelho, de mentiras que atuam como verdades pessoais até que se prove o contrário, de gente que ontem vivia ao seu lado que hoje anda na sua frente fingindo que nunca te viu, temos que aplaudir de pé quando aparecem seres humanos que possuem a grandeza, a nobreza, a elegância (sim porque ser verdadeiro é também elegante) de serem verdadeiros.
Ser verdadeiro é não ser alheio ao mundo, é não ser alheio de si mesmo, é lutar pelos seus valores mesmo que todos digam que é ultrapassado, é jamais ser vil, mesquinho, arrogante, medíocre, hipócrita, sínico, falso e interesseiro. Ser verdadeiro é ser você com toda sua gama de defeitos e assumi-los também como verdade genuína de você! Esta é sua verdade! Este é quem você realmente é!