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terça-feira, 2 de junho de 2015

Leitura de maio: As Três Irmãs

Anton Pavlovitch Tchekhov
"As Três Irmãs"

No importante grupo dos escritores russos do século 19, Anton Tchekhov ficou consagrado como o mais ousado transgressor da tradição literária clássica e um importante precursor das formas e da linguagem artística contemporânea. O escritor de múltiplas faces, Tchekhov, antes de tudo, é um reconhecido mestre de narrativas curtas. Ao mesmo tempo, Tchekhov é um grande renovador da arte dramática, criador de um novo paradigma estético do drama contemporâneo.

Anton Tchekhov nasceu na pequena cidade de Taganrog, situada no sul da Rússia. Passou sua infância em um meio muito patriarcal. Seu pai era dono de uma pequena mercearia. A numerosa família (os Tchekhov tiveram seis filhos) vivia apertada. Em 1876, o pai arruinou-se. Obrigados a vender a casa, os Tchekhov mudaram-se para Moscou. Mas Anton, sozinho, ficou mais três anos em Taganrog para terminar seus estudos no Liceu. Sem o controle paterno, ele se sentiu mais livre para se dedicar ao que gostava desde a infância – ao teatro e à literatura. Tchekhov começou a escrever cedo. Quando foi a Moscou, aos 19 anos, para fazer o vestibular de medicina na Universidade, em sua pasta já havia muitos contos humorísticos e um texto dramático. Médico dedicado e magnânimo, Tchekov produziu simultaneamente uma vasta obra literária e dramática. Dizia: "A medicina é a minha legítima esposa; a literatura é apenas minha amante."

Em 1888, Tchekhov recebe o prêmio Púchkin, maior láurea literária concedida pela Academia de Ciências da Rússia. Seu talento amadurecido se concentra cada vez mais em recriação de sutilezas da interioridade “fluida e contraditória” do ser humano, como ocorre, por exemplo, em contos: O monge negro, Enfermaria nº 6, Estudante e Os homens. Ao ler e analisar essas obras primas de Tchekhov, Virginia Woolf deixa destacado que o escritor russo “é o analítico mais sutil das relações humanas. Quando lemos estas Histórias sobre quase-nada, o nosso horizonte estende-se e ganhamos um espantoso sentido de liberdade”.

Inovador no mundo das letras, Tchekhov era ainda mais radical na inovação da arte dramática, naquela verdadeira virada para o novo drama que se manifestou, pela primeira vez, na genial tessitura teatral da peça A gaivota. Ainda que a primeira montagem desse drama, em 1896, tivesse sido um grande fracasso, dois anos mais tarde, a encenação de A gaivota, realizada por K.Stanislávski obteve um sucesso inacreditável que marcou o nascimento do novo sistema dramático já aberto para o século 20.  Desde então, Tchekhov escreve suas peças especialmente para o Teatro de Arte de Moscou: em 1899, estreia Tio Vânia; em 1901, As três irmãs; e em 1904, o último drama, O jardim das cerejeiras.

Anton Tchekhov quebra todas as regras que existiam antes no ofício dramático. Em comparação às peças dos antecessores, que possuíam uma trama dramática espetacular, parece que nada acontece no teatro de Tchekhov, pois suas peças sempre têm um final aberto. Se o teatro clássico falou dos dramas que acontecem na vida, Tchekhov foi o primeiro a mostrar no palco o drama da própria vida – da vida “regular, plana, comum, tal como ela é na realidade”.

Nas peças de Tchekhov, sempre existe algo mais importante de que o plano dos acontecimentos, algo que estabelece a ligação entre o cotidiano da vida humana e a eternidade. Essa ligação é estabelecida através do principal motivo do teatro tchekhoviano: o tempo. O dramaturgo irrompe no tempo teatral para abrir a ação dramática à eternidade da vida. Como são importantes, por exemplo, as estações do ano (o tempo cíclico da natureza) para o desenvolvimento da ação de As três irmãs. O primeiro ato começa na primavera. É o despertar da natureza e o despertar das esperanças das três irmãs Prósorov – Irina, Olga e Macha – depois de um ano de luto pela morte do pai. O último, o quarto ato, passa-se no outono: “A neve pode cair a qualquer momento… Os pássaros já começam a emigrar…”, diz Macha, como se esses pássaros de arribação levassem consigo todos os sonhos e a esperança de felizes mudanças na vida das três irmãs.


Tchekhov morreu em 1904, em Badenweiler, na Alemanha, para onde havia ido para tratar-se da tuberculose que já alcançava um estado terminal. Assim Olga relata os últimos momentos de vida dele:

Anton sentou-se extraordinariamente ereto e disse em voz alta e clara (embora ele não soubesse quase nada de alemão): Ich sterbe ("Estou morrendo"). O médico acalmou-o, pegou uma seringa, deu-lhe uma injeção de cânfora, e pediu champanhe. Anton pegou um copo cheio, examinou-o, sorriu para mim e disse: 'Fazia um bom tempo que não bebia um copo de champanhe.' Ele bebeu, e inclinou-se suavemente para esquerda, e eu só tive tempo de correr em sua direção e de colocá-lo na cama e chamá-lo, mas ele tinha parado de respirar e estava dormindo tranquilamente como uma criança…

Fonte:
Elena Vássina. Um clássico contemporâneo da literatura russa. In: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/anton-pavlovitch-tchekhov/


Ficha técnica
As Três Irmãs, peça em 4 atos, de Anton Tchekhov, adaptada para Leitura Dramatizada.
Leitura pelos alunos do Curso “Grandes Autores de Teatro” Módulo II, direção de Lisiane Berti.

Com:
Andrei Prozoróv - Giovane Nunes
Natália Ivanóva - Ana Rocha
Olga - 
Rosane Costa Warken
Macha - 
Silvana Heloisa Grade
Irina - Tania Limberger
Fiódor - 
Erick Bolt
Nikolai Tuzenbakh - 
Eduardo B Rohden
Ivan Romanovitch - 
Ronaldo Almeida

Lisiane Berti – narradora

Próxima leitura: Édipo Rei de Sófocles no Aroma

Elenco da leitura de maio

domingo, 3 de maio de 2015

Retorno das Leituras Dramatizadas

Em parceria com a Aroma Literário - Livros em Café a Cia Lisi Berti retomou o projeto Ciclo de Leituras Dramatizadas que não acontecia desde 2011.
Culminando com o Curso Grandes Autores Teatrais Módulo II que acontece desde março na D'arte em Canela, ministrado por Lisiane Berti, ao final de cada autor, toda última quarta do mês, estaremos realizando uma leitura dramatizada feita pelos alunos do curso.
A nossa primeira leitura do ano aconteceu dia 29 de abril com o texto "As Cadeiras" de Ionesco. No elenco Paula Lovatto (a velha), Ronaldo Almeida (o velho), Núbia Gallas (orador), Odarlan Mapelli (entrelinhas).

O velho e a velha

O orador

Entrelinhas

Público participativo
A aluna Isabel Scheid, explanou um pouco sobre o autor Ionesco antes do início da leitura. Segue um breve relato:
Eugene Ionesco é o máximo expoente do teatro do absurdo, junto com Samuel Beckett. O Teatro do Absurdo é incoerente por natureza. O humor sempre está presente neste tipo de texto, que muitas vezes apresenta elementos como vazio, frustração e personagens perdidos no mundo. Nasceu na Romênia em 1909 e morreu em Paris em 1994. Filho de pai romeno e mãe francesa, passou a maior parte da infância na França mas no princípio da adolescência regressou para a Romênia, onde se formou como professor de francês. Voltou à França em 1938 para concluir sua tese de doutoramento. Apanhado pela eclosão da guerra, em 39, Ionesco permaneceu na França e revelou-se como escritor de talento. Também incursionou no cinema, tendo dirigido nos anos 60 um dos episódios do filme Os sete pecados capitais,ao lado de nomes como Roger Vadim, Godard, e Jean Louis Trintignan. Morreu aos 85 anos de idade, e está enterrado no cemitério de Montparnasse.
Ionesco não queria que suas peças fossem categorizadas como Teatro do Absurdo, preferindo em vez de absurdo, a palavra insólito – um aspecto ao mesmo tempo pavoroso e maravilhoso diante da estranheza do mundo. O Rinoceronte, A Lição e As Cadeiras são obras significativas na vasta produção teatral e literária deste autor. Para lá de ridicularizar as situações mais banais, retratam de forma tangível a solidão do ser humano e a insignificância de sua existência.

Na peça As Cadeiras, escrita em 1952, um casal de idosos, ele com 95 e ela com 93 anos, tenta encurtar os momentos solitários e aborrecidos da velhice que insiste em manter-se. Apesar de estarem juntos, sentem-se sós. Estes momentos parecem-lhes eternos, e decidem, reviver histórias do passado. Agora que estão no final de suas vidas, tentam perpetuar vivências reais misturadas com delírios. Em delírio, convidam desde as mais ilustres figuras às mais modestas para preencher as cadeiras da platéia que vai receber a tão esperada mensagem do idoso. No final... as cadeiras revelam-se vazias. As suas vidas continuam vazias. A impossibilidade de comunicação, desolação e destruição são os sentimentos finais desta farsa trágica.
"Mergulhar, sem limites, no espanto e na estupefação; deste modo podes ser sem limites, assim podes ser infinitamente." 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Quando é preciso parar...

Começo meu texto com uma breve citação de "Uma Estadia do Inferno" de Arthur Rimbaud, o único livro que o jovem publicou em vida, custeado por ele e pela mãe que vendeu pouquíssimos exemplares:

"Antigamente, se bem me lembro, a minha vida era um festim, onde se abriam todos os corações, corriam todos os vinhos. Uma noite, sentei a Beleza no meu colo - e a achei amarga. E a xinguei. Me armei contra a justiça. Fugi. Ó bruxas, ó miséria, ó ódio, meu tesouro foi confiado a vocês!(...) E a primavera me trouxe o medonho riso do idiota.
E ultimamente, estando quase ao ponto de dar minha última nota falsa!, pensei procurar a chave do antigo festim, onde reencontrarei talvez o apetite." 

Rimbaud realmente vivenciou o inferno, assim como outros poetas, diz a verdade, não são metáforas. O jovem poeta de uma grande obra literária escrita antes dos 20 anos de idade, assim como nosso poeta brasileiro Álvares de Azevedo. Uma força absurda da verdade que ele profere...

Quem nunca esteve preso em seus infernos pessoais? Decepções, desilusões, injustiças, dores, amores, absurdos sentimentos contraditórios, tempos que vem e vão...essas "descidas necessárias" ao inferno pessoal são grandes lições que com o tempo e a idade aprendemos a entender. Aprendemos que não vamos "partir ao meio" , que sobrevivemos, que resistimos, que é possível sim, seguir apesar das amarras... Para que carregar decepções, desafetos e desgostos por longos tempos se podemos descer ao nosso inferno e exorcisá-los?

Que mentiras devo falar? Que corações devo quebrar porque quebraram o meu? A quem vou arrendar-me para conseguir favores lucrativos? A quem vou atacar com minhas duras palavras? Sentamos e sufocamos?
É preciso parar...parar de ressecar a alma com atitudes tão impulsivas e baixas como essas... parar de ouvir os outros, parar de fazer o que é bom para os outros, parar de enganar-se, parar de odiar-se, parar de maltratar-se, parar de comprar guerras e levantar bandeiras que não são suas, parar de pisar na lama e fingir que está em jardim florido... parar...pára! Silêncio!

O meu inferno é cheio de espelhos, noite de inverno com vento forte (porque odeio ventos), uma única lâmpada pendurada, mal vejo meu rosto, há várias imagens minhas refletidas e elas me desejam secamente "boa sorte". Bilhões de trovoadas, sapos aparecem para meu maior pavor e não consigo lembrar...de nada...esse é meu maior pavor, meu inferno pessoal.

Não quero mais ter os olhos fechados, não quero mais ouvir todas as bobagens que ando ouvindo, não quero mais ler sobre a deficiência de caráter da atual natureza humana, sou bicho forte! Posso ser salva! Não quero ficar no meio desse povo  onde a loucura circula disfarçada de gente "cult", gente "descolada", gente "moderna"...em pensar que já admirei um pouco essa gente na minha vã ignorância das dores do mundo....

Minha felicidade vem em primeiro lugar pela verdade do meu trabalho, da energia que sempre coloco nele, desprezo pessoas que usam o trabalho como desculpa...não procuro consolo, nem devoção, nem fãs, nem admiradores...só faço meu trabalho! E sigo, caíndo e subindo do meu inferno com muita honra! Minha carga é pesada suficiente, não me dá tempo de bisbilhotar a carga alheia, não floresce em mim sentimentos de inveja, raiva ou egoísmo, aprendi a deixá-los presos nas bocas dos sapos do meu inferno... A vida tá virando farsa, mas e eu começo a ter "brancos", porque não consigo mais interpretar tais personagens...

Não quero estar nos círculos das "modas", não quero fazer o que todo mundo faz, não quero arte por pechincha, não quero atuar somente para dizer que subi ao palco, não quero dar aula para ser mais "uma professora", não quero me envolver para dizer "não estou sozinha", não quero ter um milhão de amigos, só os verdadeiros, não quero parecer feliz e por dentro estar decapitada, não quero raso, vivo de profundo!

Chega! Não vou me acostumar e como é ruim o som dessa palavra "acostumar"... não vou jamais me adaptar a isso. Não quero felicidade costumeira, quero felicidade na íntegra e simples, do jeito que ela sabe que gosto...bem simples na verdade...
Todo humano tem fraquezas, mas só o ser humano de verdade as admite e segue...
Eu só preciso parar de acreditar demais nas pessoas...




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Aulas de Teatro Cia Lisi Berti


 A Cia Lisi Berti está com inscrições abertas para cursos de teatro nas cidades de Canela e Gramado.
Confira!!

1. EM GRAMADO - PÚBLICO ADULTO INICIANTE



2. EM CANELA - PÚBLICO ADULTO


3. EM CANELA - PÚBLICO INFANTIL - ETAPA I



Mais informações e ficha de inscrição: lisiberti@gmail.com
Telefones: (54) 3282.9503 ou (54) 8104.4404

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Adeus Ano Velho...tempo de voltar-se para dentro!!


Penúltimo dia do ano...redes sociais já sinalizam suas mensagens comuns de "Feliz 2015", os vídeos de retrospectiva que na maioria das vezes ninguém vê espalham-se no ar...depois do Natal, comecei a sentir um certo alívio no ar deste 2014 que foi para lá de difícil, truncado, cheio de mudanças das quais não pedi, cheio de decisões das quais eu nem estava preparada para tomar e um monte de decepções que eu não esperava vir... que ano!
Então me questiono depois de tudo que passei este ano (e olha que não foi pouca coisa não minha gente) se estou na direção certa, se venho fazendo o melhor que posso, se tenho corrido atrás do que é justo, se tenho me proposto de fato a ser feliz...é...bem...acho que sim!
Analiso-me! Questiono-me! Interfiro!
A vida, o progresso, a paz, tem por base o que fazemos de nós, as tendências que seguimos, boas ou más ditam nossa trajetória...confiar em si mesmo apesar de tudo...afinal quem se analisa com sinceridade melhor se enxerga...vou literalmente "me enxergar"!
2014 apesar de toda sua carga pesada, me trouxe ensinamentos que há anos eu não tinha, da forma mais dolorosa é verdade, mas por isso será inesquecível, porque doeu, cada dia desse ano teve uma dor "especial" se assim posso dizer...
Doeram as escolhas, as pessoas, as palavras, os trabalhos, as viagens, as verdades, as surpresas, as perdas, as rupturas e os cortes bruscos, esses foram cruciais...quando falo "doeu", é um doeu de quem como criança "desobedeceu" e colocou a mão onde não devia...criança travessa!
Porém com essas dores vieram forças indescritíveis, amigos fiéis, trabalhos com preciosos desafios, coragem de seguir, e muita, muita força e fé.
Se esse era o teste, aviso aos navegantes...eu segui...eu continuei... eu levantei a cabeça...eu continuei caminhando...eu segui meu caminho...como sempre fiz...
Perdi aqui, ganhei ali...como se não bastasse, depois de 13 anos, serei mãe de novo...sei do meu compromisso, foi uma escolha, nada ao acaso...os fins não justificam os meios...2015 me trará Helena...já tendo minha Ísis...preciosas pérolas...
Amadureci muito...entendi tanto...respirei fundo...busquei luz onde ninguém via possibilidades. Os medos bobos já não me cegam, a proteção divina é tanta que não tenho medo...sei que não estou só e tenho consciência do meu poder pessoal, de quem sou eu, de onde quero chegar.
Ando devagar...já tive tanta pressa...aprendi a ter paciência e sempre odiei essa palavra...
2015 será o ano de voltar-se para dentro, esquecer um pouco os outros e cuidar mais de mim...qualidade e não quantidade. Ano de retomar a espiritualidade tão presente mas tão pouco valorizada por mim. Ano meu! Em todos os sentidos!
Aos inimigos: obrigado! Me trouxeram ensinamentos e bens duradouros e digo, já não tenho mais idade nem vontade bater de "frente" com ninguém, esses joguinhos não fazem mais parte de mim...enquanto vocês passaram o tempo me alfinetando por coisas fúteis, meu foco e atenção eram completamente opostos...não gastei energia com vocês e não gastarei mais!
Aos amigos que apareceram ou reapareceram: obrigado! Me trouxeram acalento, palavras de consolo, abraços preciosos e verdades inspiradoras...
Ao teatro: mais um ano juntos, redescobrindo verdades, fazendo arte, fazendo pensar e rever nossa função juntos...meu velho companheiro de sempre...só nós sabemos o que já passamos nos palcos da vida eim?!
A Providência divina: obrigado por tudo! Do primeiro ao último dia de 2014 eu tive um ensinamento e sei que me comprometi com muita coisa...continuem me guiando através da minha arte e me dando força e coragem para seguir...que assim seja!
Depois de 2014...(risada alta) pode vir 2015...estou super tranquila te esperando e te digo...o pior já passou!

Daqui pra frente...tudo vai ser diferente! O melhor está por vir!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INTENSIVO DE VERÃO "O ATOR E SUA VERDADE"

De 12 a 16 de janeiro de 2016
Local: D’arte Espaço Multicultural (ao lado da Igreja Matriz em Canela)
Horário: das 18h às 22h

Uma intensiva vivência de 20 horas, trabalhando sobre si mesmo, onde o ator distancia-se do “representar” para aproximar-se do “apresentar”. O programa aborda provocações para transformar a verdade do ator em concepção cênica. Intensidade entre lugar e conflito. Anseios e Desejos. Dramaturgia da minha verdade, condição do aqui e agora do corpo cênico numa perspectiva de unidade entre arte e vida.
O processo tem como objetivo potencializar a presença do ator e sua dramaturgia cênica, partindo da sua própria verdade, emocional e física, exercendo uma boa visão das ferramentas e decisões a tomar. Permitir-se desequilibrar é altamente criativo para o ato de criação. É nesses momentos de crise que a inteligência inata e a imaginação intuitiva entram em campo. O desequilíbrio é mais frutífero que a estabilidade. Convido a todos a saírem de sua “zona de conforto” e descobrir afinal, qual é a sua verdade agora?
LISIANE BERTI – é atriz, diretora, dramaturga e professora de teatro. Possui o Curso Seqüencial de Formação do Ator pela UCS e recentemente graduada em Artes Visuais pela UFRGS. Ministra oficinas para crianças, jovens, adultos e terceira idade em Canela e Gramado. Fundadora do Grupo Teatral Artigos de 1994 a 2011. Recebeu importantes prêmios a nível estadual e nacional. Ministrou workshops de teatro na Colômbia e Peru. Atualmente ministra cursos de “Expressão Teatral e Desinibição” na UCS – Núcleo de Canela. Preparadora de elenco do espetáculo “Korvatunturi” em Gramado atualmente e uma das diretoras do espetáculo “Simplesmente Natal” em Canela. Desde 2011 iniciou a pesquisa de trabalho pessoal “O Ator e Sua Verdade” instigando a criação a partir da verdade do ator, seus medos e anseios, desvencilhando-se de seus obstáculos, apostando na intuição e na verdade cênica, transformando em energia criativa, sabendo como usá-la. Em 2013 lançou o livro “Dona Gorda e Outras Peças”.

MATRÍCULAS E INFORMAÇÕES:

1)      Participantes: atores, bailarinos, performers, estudantes e simpatizantes desta área;
2)      Local: D’arte Espaço Multicultural

3)      Valor: R$ 300 por pessoa 
Mais informações: lisiberti@gmail.com

Sergio Azevedo Fotos - Intensivo 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

A gente escolhe, recolhe e se "encolhe"...



Mais um aniversário...mais um ano que se foi...mesmo sem querer sempre refletimos...a gente escolhe, recolhe e se "encolhe", cada vez mais dentro de nós, cada vez mais consigo e isso não é ruim, é transformador... os amigos já não são mais os de festa, as parcerias de trabalho são escolhidas a dedo e com muito cuidado, o tempo é outro, queremos mais qualidade e menos quantidade, aprendemos a esperar, entendemos as perdas sem chorar tanto, diluímos mágoas, ouvimos mais sobretudo nossos desejos mais íntimos, nos importamos menos com a opinião dos outros... pelo menos me vejo assim agora... fazer festa de aniversário esse ano parece não ter muito sentido, porque consigo fazer isso em outros momentos sem ter um "que específico" , acho que fazemos aniversário um pouco todo dia, é como um cronometro que é zerado e você tem o tempo de um ano para fazer valer, mas sabe que vai passar, o que vai fazer com esse novo ano, esse novo tempo que te é dado, é problema unicamente seu...
Estou zerando o meu hoje e começando do O meus 38, ainda me sinto com 16 de alma, mas o peso dos 38 vem com toda a bagagem de aprendizagem... Os meus 37 não foram tão bons assim , mas unicamente por escolhas minhas que não pretendo repetir nos 38, o meu recomeçar vai ser diferente, quero coisas novas, quero coisas que não fiz em 38 anos de vida, se é que me entendem...assumo quem sou, como sou, onde estou...assumo minha arte com responsabilidade e integridade, assumo minhas filhas, a que tenho e a que está por vir com toda seriedade e humanidade que me é possível, assumo meus erros para melhorá-los um pouco, pois não sou perfeita. Assumo a vida como minha responsabilidade exclusiva, ela é da minha conta, ela é minha, ela só diz respeito a mim!
Que venha o novo ano, o novo ciclo, o novo tempo, os novos aprendizados, os novos desafios, os novos conflitos, as novas ideias, as novas peças, os novos  textos, os novos alunos, os novos amores, os novos desafetos (sim, eles também existem), o NOVO em si!
E termino com uma frase do grande artista Leonardo da Vinci, um homem inovador e a frente de seu tempo: " O tempo dura bastante para aqueles que sabem aproveitá-lo."